
03/02/2026
Centenas de aterros sanitários ilegais estão tomando conta da zona rural da Inglaterra, com ao menos uma dezena de "superlixões" que guardam dezenas de milhares de toneladas de resíduos, apontou uma investigação da BBC.
Nesta sexta-feira (30), uma semana após a publicação da reportagem, dois homens foram presos suspeitos de operar lixões ilegais na cidade de Kidlington, localizada no condado de Oxfordshire.
Foram detidos dois homens, de 69 e 54 anos. Ambos foram liberados após o pagamento de fiança.
Acredita-se que o aterro em Kidlington guarde cerca de 21 mil toneladas de resíduos em uma pilha que chega a 150 metros de comprimento e seis metros de altura. O monte é composto por plásticos triturados, isopor, pneus e outros itens domésticos.
Mais de 700 aterros ilegais foram fechados em 2024 e 2025, mas a agência ambiental britânica afirmou que 517 deles ainda estavam ativos no final do ano passado.
Pelo menos 11 desses locais guardam mais de 20 mil toneladas de resíduos.
A maioria desses lixões fica em áreas rurais, muitas vezes escondidas, e em terras que deveriam ser agrícolas. Segundo a polícia, eles são administrados por quadrilhas do crime organizado, que lucram cobrando muito menos do que os operadores legítimos para receber e enterrar resíduos.
As empresas precisam pagar taxas para usar aterros sanitários licenciados, dependendo da quantidade e do tipo de resíduo que estão tentando descartar, e também há uma taxa de pouco mais de 126 libras, ou R$ 900, por tonelada.
Um porta-voz da agência ambiental disse que a entidade está empenhada em combater esses crimes e que está "fazendo tudo o que é possível para desarticular aqueles que lucram com os danos causados pelos aterros ilegais".
No entanto, ativistas ambientais e moradores que vivem perto dos lixões dizem que pouco está sendo feito, apesar de os culpados, em muitos casos, já terem sido identificados e processados.
No condado de Gloucestershire, dezenas de milhares de toneladas de resíduos foram despejadas em um terreno. Testemunhas disseram à BBC que, no auge da atividade, até 50 veículos entravam no local todos os dias.
Um incêndio em junho do ano passado, que exigiu a atuação do Corpo de Bombeiros de Gloucestershire, paralisou as operações no terreno, embora ele não tenha sido totalmente interditado.
Incêndios ocorrem regularmente no terreno, que fica próximo a uma estrada movimentada e nos fundos de um popular parque rural com loja de produtos agrícolas. Quando a BBC visitou o local, colunas de fumaça podiam ser vistas subindo de alguns pontos.
Charlie Coats, presidente do conselho paroquial de Highnam, uma vila na cidade de Tewkesbury, disse que o terreno agora representa uma "mancha na paisagem" e que o lixo está se infiltrando no rio Leadon, que deságua no rio Severn.
Ele afirmou que os caminhões que despejam lixo diariamente ao longo dos anos criaram problemas de segurança viária, ruído e poluição. "Causou mau cheiro, houve fumaça, houve barulho. Danificou muita vegetação, árvores e arbustos foram destruídos, e é uma mancha na paisagem."
Além disso, houve incidentes de combustão espontânea, quando o material aqueceu e pegou fogo. O Corpo de Bombeiros foi acionado em algumas ocasiões para apagar o fogo.
A BBC não conseguiu contatar o proprietário do terreno, mas conversou com uma das pessoas que se acredita estar usando o local de descarte. O homem se recusou a comentar o caso.
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