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Sem neve, sem Jogos? Aquecimento global ameaça Olimpíadas de Inverno

10/02/2026

Assistir aos Jogos Olímpicos de Inverno é uma descarga de adrenalina, com atletas descendo pistas de esqui cobertas de neve, pistas de luge e atravessando o gelo em altíssima velocidade e com precisão.
Quando os primeiros Jogos Olímpicos de Inverno foram realizados em Chamonix, na França, em 1924, todas as 16 modalidades aconteceram ao ar livre. Os atletas dependiam da neve natural para as pistas de esqui e de temperaturas abaixo de zero para as pistas de gelo.
Quase um século depois, em 2022, o mundo assistiu a esquiadores competirem em pistas com 100% de neve produzida artificialmente perto de Pequim. Pistas de luge e saltos de esqui têm sistemas próprios de refrigeração, e quatro das modalidades originais agora são realizadas em ambientes fechados: patinação artística, patinação de velocidade, curling e hóquei são disputados em instalações com temperatura controlada.
A inovação tornou possíveis os Jogos de Inverno de 2022 em Pequim. Antes das Olimpíadas de Inverno de 2026, no norte da Itália, onde a neve ficou abaixo da média no início da temporada, autoridades mandaram construir grandes reservatórios próximos às principais arenas para garantir água suficiente para a produção de neve artificial. Mas a fabricação de neve tem limites em um clima em aquecimento.
À medida que as temperaturas globais sobem, como serão os Jogos de Inverno daqui a um século? Eles ainda serão possíveis, mesmo com novas tecnologias?
A temperatura média diurna em fevereiro nas cidades que sediaram os Jogos de Inverno tem aumentado de forma constante desde as primeiras competições em Chamonix, subindo de 33 graus Fahrenheit (0,4 °C) entre as décadas de 1920 e 1950 para 46 °F (7,8 °C) no início do século XXI.
Em um estudo recente, cientistas analisaram as sedes de 19 Olimpíadas de Inverno passadas para avaliar como cada uma poderia resistir às mudanças climáticas futuras.
Os pesquisadores concluíram que, até meados do século, quatro antigas cidades-sede — Chamonix; Sochi, na Rússia; Grenoble, na França; e Garmisch-Partenkirchen, na Alemanha — já não teriam um clima confiável para sediar os Jogos, mesmo no melhor cenário climático considerado pelas Nações Unidas, que pressupõe cortes rápidos nas emissões de gases de efeito estufa.
Se o mundo continuar queimando combustíveis fósseis em níveis elevados, Squaw Valley, na Califórnia, e Vancouver, no Canadá, também deixariam de ter condições climáticas confiáveis para receber os Jogos de Inverno.
Até a década de 2080, segundo o estudo, o clima em 12 das 22 antigas sedes seria instável demais para sediar provas ao ar livre dos Jogos de Inverno; entre elas, Turim, na Itália; Nagano, no Japão; e Innsbruck, na Áustria.
Em 2026, há agora cinco semanas entre os Jogos Olímpicos de Inverno e os Jogos Paralímpicos, que vão até meados de março. Os países-sede são responsáveis por ambos os eventos, e algumas sedes podem ter cada vez mais dificuldade para manter neve suficiente no solo, mesmo com capacidade de produção artificial, à medida que as temporadas de neve ficam mais curtas.
As condições ideais para produzir neve hoje exigem uma temperatura de ponto de orvalho — combinação de frio e umidade — em torno de 28 °F (-2 °C) ou menos. Mais umidade no ar faz com que neve e gelo derretam mesmo em temperaturas mais baixas, o que afeta tanto a neve nas pistas de esqui quanto o gelo em pistas de bobsled, skeleton e luge.
Como cientistas da neve e da sustentabilidade no Colorado e também esquiadores apaixonados, temos acompanhado esses desdobramentos e estudado o impacto do clima nas montanhas e nos esportes de inverno que amamos.

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