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Corais-de-fogo do Brasil podem estar sofrendo extinção silenciosa, afirmam especialistas

10/02/2026

Os corais-de-fogo podem estar sofrendo uma "extinção silenciosa", afirmam autores de estudo apoiado pela Fapesp e publicado na revista Coral Reefs. Os dados foram obtidos durante monitoramento dos corais-de-fogo realizado pelo Instituto Coral Vivo, com apoio da Petrobras, que começou após a primeira onda de branqueamento que afetou severamente o Brasil, em 2019.
O branqueamento de corais é um fenômeno que ocorre quando a temperatura da água do mar se eleva e as zooxantelas, microalgas que vivem dentro do esqueleto dos corais e fornecem alimentos para eles, passam a produzir compostos danosos e são expelidas. Como resultado, os corais ficam brancos e podem morrer por falta de energia.
O monitoramento foi realizado antes, durante e depois do mais recente evento de branqueamento, ocorrido durante uma onda de calor no início de 2024, consequência do fenômeno El Niño.
O trabalho aponta que a espécie Millepora braziliensis, que só ocorre no país, sofreu branqueamento de 100% e perdeu toda a cobertura viva nas colônias monitoradas, no município de Tamandaré (PE). A espécie é listada como criticamente ameaçada de extinção pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).
Por sua vez, outra espécie endêmica, Millepora nitida, sofreu branqueamento de 40%, mas sem perdas significativas de cobertura.
"Os resultados reforçam a necessidade de medidas de conservação para proteger os corais, principalmente as populações de M. braziliensis, que enfrentam risco elevado de extinção por conta de ondas de calor provocadas por fenômenos como a fase quente do El Niño, em convergência com o aquecimento global ocasionado pela emissão de gases de efeito estufa", explica Miguel Mies, professor do Instituto Oceanográfico da USP (Universidade de São Paulo) e um dos coordenadores do estudo.
Os corais-de-fogo são historicamente negligenciados em monitoramentos desse tipo. Em parte, isso se deve tanto ao difícil acesso às colônias quanto à sua posição nas bordas do recife. Outro fator que influencia a atenção diferenciada dada a eles é a menor abundância de três das espécies de corais-de-fogo que ocorrem no Brasil em comparação aos chamados corais verdadeiros.
"No entanto, os corais-de-fogo possuem importância ecológica comparável aos corais verdadeiros, uma vez que contribuem para a complexidade do ecossistema, oferecendo abrigo e esconderijo para outras espécies animais", explica o pesquisador, que é também diretor científico do Instituto Coral Vivo.
O trabalho tem como primeiros autores Laura Marangoni, do Instituto Coral Vivo, e Tarciso Roberto Sena da Silva, que realiza mestrado na Universidade Federal Rural de Pernambuco sob orientação de Ralf Cordeiro, que coordenou o monitoramento dos corais-de-fogo.
O branqueamento é a maior ameaça aos recifes de coral do mundo. O evento de 2023-2024 foi a quarta ocorrência global do tipo e também afetou os chamados corais verdadeiros da costa brasileira, como relata outro estudo do grupo, publicado em setembro de 2025.
Em Maragogi (AL), por exemplo, o branqueamento chegou a 96% e em Porto de Galinhas (PE), 84%. No mundo inteiro, 84% dos recifes de corais foram afetados no mesmo período pelo branqueamento.

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