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Mais de 30 tartarugas são achadas mortas no RS; ambientalistas pedem criação de parque nacional no local

10/02/2026

Na última semana de janeiro, as carcaças de mais de 30 tartarugas foram encontradas por pesquisadores na costa do Albardão, no extremo sul do país, próximo da fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai.
Segundo a coalizão de ONGs ambientalistas SOS Oceano, os animais são capturados acidentalmente em redes de pesca industrial e, como não podem ser comercializados, são descartados e acabam morrendo.
No mês passado, expedições da organização à mesma região encontraram 139 toninhas mortas. Em novembro, foram outras 82. Também conhecido como franciscana, esse pequeno golfinho —o menor cetáceo do Atlântico Sul— está ameaçado de extinção.
A atividade pesqueira na região se intensifica entre a primavera e o verão, coincidindo com fases sensíveis do ciclo reprodutivo de diversas espécies marinhas.
"A legislação não permite, por exemplo, pesca de arrasto a menos de 12 milhas [náuticas] da costa. Mas nós vimos barcos a cerca de 1,5 milhas, conseguimos até filmá-los da praia com o drone", conta a pesquisadora Angela Kuczach, articuladora da aliança de ONGs que participou da expedição.
De acordo com a SOS Oceano, as embarcações circulam entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina, capturando principalmente peixes como corvina, castanha, pescada e pescadinha. Essa atuação, aliada à ausência de proteção ambiental formal na região, tem aumentado os impactos da pesca industrial sobre espécies ameaçadas.
"Os dados mostram que o Albardão está no limite", alerta em comunicado Maria Carolina Weigert, bióloga e diretora do Nema (Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental), instituição que monitora a região há mais de duas décadas.
"A cada ano aumentam os registros de captura acidental de animais marinhos ameaçados de extinção, como toninhas e tartarugas marinhas, e diminuem os juvenis, essenciais para a reposição das populações", acrescenta. "Se o Brasil não agir agora, perderemos um dos últimos grandes refúgios marinhos do sul do país".
Parte de uma das maiores praias contínuas do mundo, o Albardão é composto de diferentes paisagens: largas faixas de areia, dunas, lagoas e banhados de água doce e salobra, depósitos de conchas e um trecho de oceano que recebe águas tropicais e subantárticas.
A região abriga ecossistemas marinhos únicos, com recifes naturais, fundamentais para a estabilidade climática, a proteção da linha de costa e a manutenção da biodiversidade.
Por isso, em 2004 foi reconhecida como prioritária para a conservação. Desde 2008, há um processo aberto para a criação de duas unidades de conservação no local: o Parque Nacional do Albardão, de proteção integral, e uma APA (Área de Proteção Ambiental), de uso sustentável.
Nas últimas duas décadas, a paisagem da região está mudando. Kuczach, que visitou o local em 2016, relata que viu muito mais animais mortos agora.
"Também há parques eólicos mais próximos da praia. E vimos muito gado nas dunas e na beira da praia, o que tem um impacto direto no processo de formação das dunas", diz ela.

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