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Lixo eletrônico vira fonte de metais preciosos

26/02/2026

A crescente montanha de lixo eletrônico pode esconder uma oportunidade estratégica para a transição rumo a uma economia mais sustentável. Um novo estudo mostra que a vaporização de componentes eletrônicos, realizada por meio de aquecimento elétrico instantâneo, permite recuperar metais preciosos de forma muito mais barata, eficiente e limpa do que a mineração tradicional. Ao aquecer instantaneamente peças eletrônicas a cerca de 3.000 °C por meio de corrente elétrica, os pesquisadores conseguiram extrair quantidades significativas de metais valiosos sem gerar resíduos perigosos. De acordo com a análise, depender do lixo eletrônico como fonte desses materiais pode ser até 13 vezes mais barato do que extraí-los diretamente do solo.
Até agora, as tentativas de recuperação de metais a partir de resíduos eletrônicos envolviam métodos pouco sustentáveis, como a queima de aparelhos quebrados em fornos que consomem grandes quantidades de energia e liberam substâncias tóxicas na atmosfera. Em contraste, o chamado “aquecimento por efeito Joule instantâneo” utiliza correntes elétricas intensas para vaporizar os metais presentes nos componentes, alcançando uma eficiência energética de 80 a 500 vezes maior do que a dos processos convencionais.
O potencial desse tipo de abordagem fica ainda mais evidente quando se observam os dados sobre a composição do lixo eletrônico. Um estudo de 2008 calculou que uma tonelada de telefones celulares sem baterias contém aproximadamente 130 quilos de cobre, 3,5 quilos de prata, 340 gramas de ouro e 140 gramas de paládio. Em termos de mineração tradicional, esses números seriam considerados resultados de classe mundial, situando-se no 99º percentil de teor metálico. Para efeito de comparação, a maioria das operações de mineração a céu aberto apresenta taxas de extração entre 0,5 e 1,8 gramas de ouro por tonelada de minério e entre 100 e 180 gramas de prata por tonelada. Considerando que cerca de 40 milhões de toneladas de lixo eletrônico são produzidas anualmente no mundo, o potencial econômico da recuperação desses metais torna-se evidente — razão pela qual os cientistas chamam esse processo de “mineração urbana”.
Nos experimentos descritos no estudo, pesquisadores da Universidade Rice trituraram uma placa de circuito impresso e a misturaram com negro de fumo, utilizado como aditivo condutor. Ao ser colocada em uma câmara de choque elétrico, a mistura é submetida a uma corrente tão intensa que metais preciosos como ródio, cobre e ouro se transformam brevemente em vapor. Já os componentes à base de carbono, como o plástico, passam por carbonização. Esse mesmo processo, segundo os cientistas, já foi empregado em outras pesquisas para transformar plástico em diamantes, reforçando o potencial da tecnologia como uma solução versátil para enfrentar, ao mesmo tempo, o desafio do lixo eletrônico e a crescente demanda global por metais críticos.

Fonte: CicloVivo

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