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Novo estudo revela que nível do mar já está mais alto do que se pensava

10/03/2026

Uma nova pesquisa revelou que cientistas que estudam a elevação do nível do mar têm usado métodos que subestimam o quão alta a água já está. Um dos resultados é que centenas de milhões de pessoas a mais em todo o mundo já vivem perigosamente perto do oceano em elevação do que pesquisadores ocidentais haviam estimado anteriormente.
O novo artigo, publicado nesta quarta-feira (4) na revista Nature, apontou que a grande maioria dos estudos científicos cometeu esse erro. Os níveis costeiros do mar estão, em média, de 20 a 30 centímetros mais altos do que muitos mapas e modelos das costas do mundo indicam, segundo a pesquisa.
As discrepâncias são muito maiores em certas regiões, incluindo o Sudeste Asiático e nações do Pacífico, onde a dinâmica oceânica é mais complexa. Lá os níveis costeiros do mar estão até vários metros mais altos do que comumente estimado.
As novas descobertas não significam, porém, que esses estudos estejam errados em suas conclusões mais amplas sobre a taxa de elevação do nível do mar ou os danos que ela pode causar.
Os níveis costeiros estão subindo à medida que o mundo aquece. O que as novas descobertas significam é que os cientistas frequentemente trabalharam a partir de um ponto de partida errado ao calcular quais terras e populações podem ser afetadas no futuro. Em termos mais simples, eles estavam subestimando onde os níveis costeiros do mar já estão.
Isso importa à medida que governos e formuladores de políticas recorrem à ciência para entender quanta terra —e quantas pessoas— podem ser afetadas conforme o mundo aquece e os oceanos sobem, disse Katharina Seeger, pesquisadora de pós-doutorado na Universidade de Pádua (Itália), que liderou o estudo enquanto trabalhava em seu doutorado na Universidade de Colônia (Alemanha).
"Eu não esperava que a discrepância fosse tão imensa", disse.
É difícil imaginar não poder confiar em um mapa em uma era em que GPS e as imagens de satélite são tão prevalentes. Mas o novo estudo identificou um problema de longo alcance no método que pesquisadores frequentemente usam para entender as costas e como elas podem mudar em um clima em aquecimento.
O estudo verificou 385 outros artigos revisados por pares e descobriu que menos de 1% havia avaliado corretamente onde os níveis do mar estão hoje. O problema começa com um método de décadas que compara medições de elevação do terreno baseadas em satélite com algo que os cientistas conhecem como "modelo geoide", que é uma técnica para estimar o nível médio do mar com base no campo gravitacional da Terra.
Esse método já foi considerado de ponta e comumente ensinado em programas de pós-graduação, disse Philip Minderhoud, autor sênior do artigo e professor associado que estuda subsidência de terras e elevação do nível do mar na Universidade de Wageningen (Países Baixos) e no Deltares, instituto científico na Holanda.
No entanto, outros satélites e instrumentos podem medir o nível real do mar e revelar diferenças locais de fatores como correntes, ventos e marés, que também podem influenciar os níveis, mas não estão incluídos no modelo de campo gravitacional. Os cientistas podem estimar o nível do mar com mais precisão quando ambas as peças do quebra-cabeça são combinadas corretamente.
Mas, em grande parte, o novo estudo afirmou, esse não tem sido o caso. Cerca de 90% dos trabalhos que Minderhoud e Seeger verificaram dependiam apenas do método de mapear os níveis do mar com o campo gravitacional da Terra. Outros 9% dos estudos, a maioria dos quais são relativamente recentes, usaram ambos os tipos de dados, mas aparentemente falharam em combiná-los corretamente.

Leia a matéria completa na Folha de S. Paulo

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