
26/03/2026
A onça-pintada, maior felino das Américas e conhecida por percorrer dezenas de quilômetros em poucos dias, virou um dos principais destaques da Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15), realizada em Campo Grande. O comportamento do animal, que pode atravessar fronteiras entre países sem reconhecer limites territoriais, foi apontado por especialistas como um dos principais motivos para o debate internacional sobre a espécie.
O tema foi discutido durante o painel “Um continente, uma onça-pintada: construindo conectividade transfronteiriça na América do Sul”, que reuniu pesquisadores e representantes de diferentes países da América do Sul.
Segundo o analista de conservação do WWF-Brasil, Felipe Feliciani, o deslocamento frequente é uma das características mais marcantes da espécie.
"As onças-pintadas se deslocam muito, andam dezenas de quilômetros todos os dias, principalmente machos jovens em processos de dispersão", explicou.
Esse comportamento faz com que os animais circulem por grandes áreas naturais, muitas vezes cruzando regiões de diferentes países, como Brasil, Paraguai e Bolívia. Por isso, especialistas destacam que entender o modo de vida da espécie é essencial para planejar ações que garantam sua sobrevivência.
Além de chamar atenção pelo tamanho e pela força, a onça-pintada também é considerada um indicador da qualidade ambiental. Isso acontece porque o felino ocupa o topo da cadeia alimentar.
"As onças-pintadas são animais topo de cadeia, ou seja, a presença da onça-pintada num território demonstra que aquele território está saudável", afirmou Felipe Feliciani.
Segundo ele, quando a espécie está presente, significa que há alimento suficiente e equilíbrio ecológico na região.
O Pantanal, bioma que ocupa parte de Mato Grosso do Sul, é considerado uma das áreas mais importantes para a onça-pintada no Brasil. Apesar de a situação atual ainda não ser considerada crítica, especialistas alertam que mudanças ambientais recentes exigem atenção.
De acordo com o biólogo Rogério Cunha de Paula, coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o cenário ainda é estável, mas pode mudar caso os impactos ambientais continuem.
"Ele ainda não chegou no ponto crítico, mas se a gente deixar descontrolado pode vir a ser um problema", afirmou.
Segundo o pesquisador, fatores como alterações no fluxo natural de água e o aumento de incêndios podem afetar diretamente o habitat das onças.
"O Pantanal é simbólico para esse debate, porque concentra populações importantes de onça-pintada e está próximo de fronteiras com outros países", afirmou Carlos Eduardo Marinello, chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
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