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Estudo revela como baleias cachalotes ajudam mãe no parto e garantem a 1ª respiração do bebê

07/04/2026

Um parto de baleia cachalote envolve muito mais do que apenas a mãe e o bebê. Segundo um estudo de biólogos marinhos publicado nas revistas Science e Scientific Reports na última quinta-feira (26), outras adultas da espécie se reúnem para ajudar na primeira respiração do filhote.
Em observações no Caribe, os cientistas perceberam que a mãe é cercada durante o parto. Depois do nascimento, as outras baleias, então, erguem o filhote para fora da água para ele respirar.

"O nascimento é um momento de alto risco para as baleias cachalote, porque os recém-nascidos são inicialmente imóveis e indefesos, muito parecidos com os humanos, e precisam de assistência imediata de outros para chegar à superfície e respirar pela primeira vez, evitando assim o afogamento", disse o biólogo marinho e coautor da pesquisa, David Gruber, presidente do Projeto CETI.

Os pesquisadores registraram uma ação coletiva altamente coordenada: 11 cachalotes, sendo 10 fêmeas, incluindo a mãe, e um macho adolescente com atuação secundária, participaram do parto e contribuíram para proteger o filhote.

"Observamos um período de cuidado altamente cooperativo logo após o nascimento. As baleias formaram um grupo muito unido ao redor do recém-nascido, tocando-o repetidamente, apoiando-o com seus corpos e revezando-se para levantá-lo e empurrá-lo em direção à superfície. O comportamento de levantá-lo continuou por várias horas", disse Alaa Maalouf, membro da equipe de robótica e aprendizado de máquina do Projeto CETI e autor principal de um dos estudos.

Segundo o Projeto CETI, responsável pela pesquisa, o processo do parto durou 34 minutos, sem considerar a primeira respiração. Apesar da publicação ter ocorrido na última semana, os registros foram feitos em julho de 2023.


Os indivíduos que participaram do parto pertenciam a dois grupos familiares que, normalmente, permanecem separados.

“O que torna esse comportamento especialmente impressionante é que o apoio foi além dos laços de parentesco. Grupos que costumam se manter mais afastados durante a alimentação parecem se unir no momento do nascimento, o que sugere que a sociedade dos cachalotes pode ser baseada em algo além de vínculos familiares próximos. Além disso, a escala e a organização dessa cooperação indicam um alto nível de sofisticação social e cognitiva”, afirmou Maalouf.

Ainda segundo os pesquisadores, o comportamento coordenado de erguer o filhote já havia sido observado em outras três espécies de baleias dentadas — orcas, falsas-orcas e belugas — e pode ter origem em um ancestral comum que viveu há mais de 30 milhões de anos.

Mesmo assim, de acordo com a agência de notícias Reuters, esse é o relato mais detalhado até o momento sobre o processo de nascimento de cachalotes ou de qualquer cetáceo – o grupo que inclui baleias, golfinhos e botos – na natureza.
➡️Os cachalotes são os maiores cetáceos dentados e possuem o maior cérebro, com cerca de 8 kg, entre todos os animais.
Antes deste estudo, o último registro científico de um nascimento da espécie havia sido feito em 1986 e se limitava a relatos escritos.
Assim como outros mamíferos marinhos, as baleias-cachalote são altamente sociais. Os maiores machos podem chegar a cerca de 18 metros de comprimento, mergulham a grandes profundidades e se alimentam, principalmente, de presas como lulas gigantes.
A espécie mantém sistemas sociais complexos, formados por grupos familiares matrilineares estáveis, geralmente com 10 a 12 indivíduos, que cooperam tanto na busca por alimento quanto no cuidado com os filhotes.

"Os cachalotes machos deixam seus grupos natais no início da adolescência. A avó, as mães e as filhas viverão juntas por toda a vida como um grupo", explicou o coautor da pesquisa, Shane Gero, biólogo-chefe do Projeto CETI. "As fêmeas vivem nesses grupos para defender e criar os filhotes em conjunto, enquanto os machos adultos levam vidas predominantemente solitárias, vagando entre os oceanos em busca de parceiras."

Gero classificou como "uma surpresa fascinante" a presença de um macho adolescente no momento do parto.
"As baleias-cachalote compartilham características surpreendentemente semelhantes às dos humanos. Elas possuem o maior cérebro entre todas as espécies e apresentam funções cognitivas complexas, como pensamento consciente e planejamento futuro, além de formas de comunicação e sentimentos como compaixão, amor, sofrimento e intuição", afirmou Gruber.

Fonte: g1

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