
09/04/2026
Os cortes nas emissões de gases de efeito estufa da França desaceleraram pelo segundo ano consecutivo em 2025, permanecendo bem abaixo do necessário para cumprir suas metas climáticas, segundo dados encomendados pelo governo e publicados nesta quarta-feira (8).
A desaceleração ocorre enquanto outras grandes economias também enfrentam dificuldades para cumprir suas promessas de reduzir as emissões de gases que aquecem o planeta, mesmo com as temperaturas médias globais próximas de recordes históricos.
As emissões da França caíram 1,5% em relação ao ano anterior, informou a Citepa, organização sem fins lucrativos encarregada pelo Ministério da Ecologia francês de contabilizar o inventário de gases de efeito estufa do país.
"A tendência de queda nas emissões continua, embora em ritmo mais lento", disse a Citepa em comunicado, mas acrescentou que a redução "permanece insuficiente" para atingir as metas climáticas da França para 2030.
A França atualizou em dezembro seu plano para alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Para permanecer neste caminho, as emissões de gases de efeito estufa precisam cair aproximadamente 4% em média a cada ano até 2030.
Depois que a França reduziu suas emissões em 3,9% em 2022 e 6,8% em 2023, o ritmo desacelerou acentuadamente para 1,8% em 2024.
A redução final de 2025 foi ligeiramente revisada em relação à estimativa provisória da Citepa, de 1,6% em janeiro.
Como outras economias industrializadas, a França tem enfrentado dificuldades para reduzir a intensidade energética de setores politicamente sensíveis ou custosos, como transporte e refinarias.
As emissões da geração de energia aumentaram ligeiramente em 2025, interrompendo uma tendência de queda observada desde 2022, enquanto apenas pequenos cortes foram feitos no transporte.
Anne Bringault, diretora de programas da aliança de grupos ambientais Rede de Ação Climática (RAC), atribuiu os "retrocessos nas políticas públicas para a transição ecológica" à desaceleração no progresso do combate às emissões.
Os esforços para concentrar a atenção no enfrentamento das mudanças climáticas estão sendo ofuscados por guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, uma crise energética global e crescente turbulência econômica.
Os dados da França ecoam uma desaceleração na vizinha Alemanha, onde as emissões caíram apenas 0,1% em 2025, segundo o grupo de especialistas Agora Energiewende em março.
As emissões nos Estados Unidos aumentaram 2,4% no ano passado, de acordo com o instituto de pesquisa Rhodium Group, impulsionadas pela demanda da maior economia do mundo por aquecimento e eletricidade para o boom da inteligência artificial.
Fonte: Folha de S. Paulo
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