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O Cerrado armazena até seis vezes mais carbono do que a Amazônia, diz estudo

09/04/2026

O Cerrado guarda carbono milenar e pode armazenar até seis vezes mais do que a Floresta Amazônica. É o que indica um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e publicado pela revista New Phytologist. A descoberta joga luz sobre a importância da preservação desse bioma, que pode passar a emitir carbono se degradado.
A motivação da pesquisa veio justamente do interesse em reforçar a urgência de conservação do bioma:
“Já havia indícios de que áreas úmidas do Cerrado acumulam grandes quantidades de carbono. No entanto, ainda não sabíamos a magnitude desse acúmulo nem sua importância em escala nacional”, conta Larissa Verona, primeira autora do artigo.
Para entender de que forma esse carbono estava presente, os pesquisadores coletaram amostras de solo na região da Chapada dos Veadeiros, em profundidades de até quatro metros em veredas e campos úmidos – formações presentes no Cerrado que contam com grande presença de água.
Em laboratório, foram calculadas a porcentagem e a idade do carbono presente nas amostras. “Também medimos quanto desse carbono é liberado ao longo do ano. Ao se decompor no solo, ele é convertido em dióxido de carbono (CO₂) e metano (CH₄), dois importantes gases de efeito estufa. Por isso, monitoramos esses fluxos nas estações úmida e seca”, explica Larissa.
Para mapear a distribuição das áreas úmidas pelo Brasil, os pesquisadores utilizaram dados de satélite e machine learning.
O resultado surpreende: o carbono está distribuído por uma área de 160 mil km² de Cerrado, com uma concentração de 1,2 mil toneladas por hectare. “Isso equivale a aproximadamente seis vezes o carbono armazenado na vegetação da floresta amazônica na mesma área”, reforça Larissa.
Este carbono pode atingir idades de até 20 mil anos. "É um processo muito lento em que o Cerrado tem mantido condições favoráveis ao longo de dezenas de milhares de anos", esclarece a pesquisadora.
O armazenamento do carbono acontece por uma combinação de fatores das áreas de veredas e dos campos úmidos: muita água, solo exposto e pouco oxigênio. O cenário reduz a ação de microrganismos que fazem a decomposição da matéria orgânica, composta por carbono e demais elementos.
“Como resultado, folhas, raízes e madeira decompõem muito lentamente, acumulando-se no solo ao longo do tempo”, aponta Larissa. “Encontramos, por exemplo, um pedaço de madeira a cerca de 3 metros com uma idade estimada de 7,6 mil anos. Isso ilustra como a matéria orgânica pode permanecer preservada por milhares de anos”, complementa.
Apesar do volume, a presença do carbono é instável, já que pode se decompor rapidamente em momentos de seca.

A matéria na íntegra pode ser lida na Revista Casa & Jardim

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