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Pesquisadores usam ´raios artificiais´ para transformar gás natural em combustível menos poluente; entenda

16/04/2026

Todo ano, enormes quantidades de metano escapam de poços de petróleo e gás ao redor do mundo.
Quando não há infraestrutura para aproveitar esse gás, a solução padrão é simplesmente queimá-lo a céu aberto, o chamado flaring.
A combustão converte metano em CO2, o que é preferível do ponto de vista climático, já que o metano aquece a atmosfera dezenas de vezes mais do que o dióxido de carbono em períodos curtos.
Ainda assim, isso representa emissões relevantes e o desperdício de um recurso que poderia ser aproveitado.
É exatamente esse problema que um grupo de cientistas acredita ter encontrado uma forma de resolver.
Pesquisadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, desenvolveram um método para transformar gás natural em metanol (um combustível e produto químico industrial de uso amplo) sem as etapas de alta temperatura e pressão que tornam o processo atual uma fonte significativa de emissões de carbono.
Em vez de fornos e compressores industriais, a técnica usa uma espécie de pulso de eletricidade para criar, dentro de um tubo de vidro submerso em água, minúsculas descargas de plasma, fisicamente semelhantes aos raios que ocorrem durante uma tempestade.
O estudo foi publicado nesta quarta-feira (15) no Journal of the American Chemical Society.
O metanol é um dos produtos químicos mais fabricados no mundo: mais de 130 bilhões de litros por ano.
Ele entra na produção de plásticos, tintas e adesivos, serve como solvente industrial e vem ganhando espaço como alternativa a combustíveis fósseis em navios e caldeiras pois sua queima gera menos enxofre e partículas finas do que gasolina ou diesel.
O problema, contudo, está em como ele é fabricado atualmente.
O processo industrial atual converte metano em metanol em duas etapas: primeiro aquece o gás a mais de 800 graus Celsius até romper suas ligações moleculares; depois comprime os fragmentos a pressões de até 300 vezes a atmosférica para recombiná-los como metanol.
Toda essa energia vem em grande parte da queima de combustíveis fósseis, resultando em milhões de toneladas de CO₂ lançadas na atmosfera a cada ano apenas para fabricar esse único produto.
O novo método dispensa tudo isso: opera à temperatura ambiente e sem pressão extrema, usando apenas eletricidade e água.
"Estamos usando pulsos de eletricidade de alta tensão", diz ao g1 Dayne Swearer, professor do Departamento de Engenharia Química e Biológica da Universidade Northwestern e autor do estudo.

A matéria na íntegra pode ser lida no g1

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