
28/04/2026
Ecoando o coro de outras agências internacionais, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), braço da ONU (Organização das Nações Unidas), informou nesta sexta-feira (24) que o El Niño deve se desenvolver já no período de maio a julho.
A última ocorrência do fenômeno, de 2023 a 2024, levou as temperaturas globais a níveis recordes e, somada à mudança climática, potencializou eventos climáticos extremos —como a seca histórica na amazônia e as enchentes no Rio Grande do Sul.
"Os modelos climáticos estão fortemente alinhados e há alta confiança no início do El Niño [em meados de 2026], seguido de intensificação adicional nos meses seguintes", disse em comunicado o chefe de previsão climática da OMM, Wilfran Moufouma Okia.
"Os modelos indicam que este pode ser um evento forte —mas a chamada barreira de previsibilidade da primavera é um desafio para a certeza das previsões nesta época do ano. A confiança nas previsões geralmente melhora após abril", afirmou.
El Niño e La Niña são fases opostas da Oscilação Sul-El Niño (Enso, na sigla em inglês), um dos padrões climáticos mais poderosos da Terra, mudando padrões de ventos, pressão e precipitações.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das temperaturas da superfície do oceano no Pacífico Equatorial. Ele normalmente ocorre a cada dois a sete anos e dura cerca de nove a doze meses, informa a OMM.
No Brasil, o fenômeno normalmente intensifica a estiagem nas regiões Norte e Nordeste e aumenta os acúmulos de chuva no Sul.
Em nível global, geralmente está associado ao aumento das chuvas em partes do sul da América do Sul, sul dos Estados Unidos, Chifre da África e Ásia Central, e à seca na Austrália, Indonésia e partes do sul da Ásia. No verão do hemisfério norte, as águas quentes do El Niño podem alimentar tufões no Pacífico central, e dificultar a formação de furacões no Atlântico.
A agência da ONU alerta, ainda, que no trimestre de maio a julho, as temperaturas da superfície terrestre devem ficar acima do normal em quase todo o mundo. "O sinal é especialmente forte no sul da América do Norte, América Central e Caribe, bem como na Europa e no norte da África".
Não há evidências de que as mudanças climáticas aumentem a frequência ou intensidade dos eventos de El Niño, de acordo com a OMM. No entanto, o excesso de calor na atmosfera pode amplificar os impactos associado ao fenômeno.
"Um oceano e uma atmosfera mais quentes aumentam a disponibilidade de energia e umidade para eventos climáticos extremos, como ondas de calor e chuvas intensas", diz a entidade.
O aquecimento global afetou, porém, a medição do fenômeno. No início do ano, a agência dos Estados Unidos de ciência climática e oceânica, conhecida pela sigla Noaa, anunciou uma revisão nos seus parâmetros que medem o Enso.
O método antigo media as anomalias (variações fora da média) da temperatura da superfície do mar em termos absolutos. O novo subtrai a anomalia média de temperatura de toda a faixa tropical da Terra da medição regional —ou seja, calcula se é realmente só a região central do Pacífico que está mais quente ou se a temperatura dali apenas reflete o quadro global.
Na prática, a nova técnica "desconta" o calor excessivo do oceano provocado pela mudança climática dos resultados, aumentando a precisão da medição.
Fonte: Folha de S. Paulo
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