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Governo de SP lança programa de pagamento por serviços ambientais para evitar extinção da araucária

28/04/2026

O governo de São Paulo lançou na quarta-feira (22) um edital voltado à conservação da araucária, espécie que corre risco de desaparecer da paisagem paulista. O programa envolve o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) a produtores que protegem e plantam árvores.
Inicialmente, a iniciativa está restrita à zona de amortecimento do Parque Estadual da Serra do Mar, no município de Cunha. A região concentra 95% da coleta de pinhão em SP, segundo a Fundação Florestal, órgão ligado à Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística), e o projeto pretende fortalecer o cultivo do item, com capacitação e compra de equipamentos.
Ao todo, 55 produtores rurais poderão receber até R$ 36 mil cada, com recursos do Fundo Estadual de Prevenção e Controle de Poluição (Fecop). O programa também deve repassar até R$ 250 mil para organizações da sociedade civil envolvidas com a preservação de araucárias.
Rodrigo Levkovicz, diretor-executivo da Fundação Florestal, diz à Folha que a meta é plantar cerca de 5.000 árvores e destinar R$ 2,5 milhões ao longo dos próximos quatro anos.
Ele afirma que as mudanças climáticas representam a principal ameaça à espécie: "A araucária depende de temperaturas mais frias, e a gente está vendo um aquecimento do planeta. As áreas de ocorrência vão mudar, porque o clima está mudando".
O corte excessivo no passado também agrava o cenário atual, com poucas árvores restantes. "Em razão dessa exploração, houve legislações que protegeram muito a araucária, o que foi muito importante para parar o desmatamento ilegal, mas gerou um efeito rebote", diz Levkovicz.
"Os proprietários rurais deixaram de plantar araucária porque pensavam:´na hora que eu plantar, não posso fazer mais nada´. Isso gerou um envelhecimento dos indivíduos, uma pouca reposição."
Conforme o edital, os produtores interessados devem apresentar um plano de trabalho para receber a primeira parcela do pagamento. O valor reservado para cada um será proporcional ao serviço ambiental prestado e ao número de árvores plantadas e conservadas.
O diretor da Fundação Florestal afirma que haverá fiscalização semestral para acompanhar a execução das medidas e diz que a política ajuda a garantir a segurança alimentar de pequenos agricultores.
"O Estado gasta muito menos do que gastaria se contratasse uma empresa para fazer o serviço e consegue injetar um dinheiro muito importante para a população mais vulnerável na ponta, sem a intermediação", diz Levkovicz.

Fonte: Folha de S. Paulo

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