
30/04/2026
A floresta amazônica, a Grande Barreira de Corais e parques nacionais como Yellowstone e Yosemite vêm à mente quando se pensa em santuários para a vida selvagem.
É improvável que você pense imediatamente na zona de exclusão de Chernobyl ou na zona desmilitarizada (DMZ) entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Mas é exatamente isso que elas se tornaram.
Em áreas onde os humanos não têm permissão para viver, a vida selvagem está prosperando. Será que esse renascimento acidental carrega uma lição de conservação?
A livre circulação entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul tornou-se impossível em 1953, após a criação da Zona Desmilitarizada, com 248 km de comprimento e 4 km de largura, que atravessa a Península Coreana.
As atividades na DMZ são muito limitadas e a área está repleta de minas terrestres. Mas isso não desanima os animais e as plantas.
O Instituto Nacional de Ecologia da Coreia do Sul afirma que 6.168 espécies de animais selvagens vivem na DMZ, incluindo 38% das espécies ameaçadas de extinção da península.
A área sofreu pouquíssima interferência humana por mais de 70 anos e agora abriga espécies como águias, cabras-monteses e cervos. A área também abriga muitas plantas endêmicas da Coreia, ou seja, que não são encontradas em nenhum outro lugar da Terra.
Seung-ho Lee, presidente do Fórum da DMZ, uma organização que defende a conservação na zona, disse que a natureza foi "protegida acidentalmente pelo armistício".
"A natureza recuperou o que lhe pertencia. Muitos animais e espécies de aves, em especial, têm mais acesso à área, enquanto a maior parte da atividade humana desapareceu", disse ele.
E muitas das espécies que vivem lá, disse ele, são de importância global, incluindo os grous que vivem na DMZ, mas "voam por todo o mundo".
A Zona Desmilitarizada da Coreia não é o único refúgio improvável para a vida selvagem. Em 26 de abril de 1986, um reator da Usina Nuclear de Chernobyl, na antiga União Soviética —no que hoje é a Ucrânia— explodiu, liberando elementos radioativos de alta periculosidade na atmosfera.
A contaminação radioativa se espalhou por milhares de quilômetros quadrados e centenas de milhares de pessoas foram evacuadas. Uma zona de exclusão foi estabelecida ao redor do local, que permanece em grande parte desabitado. A área foi expandida desde então e agora abrange cerca de 4 mil km quadrados.
De acordo com o Centro de Ecologia e Hidrologia do Reino Unido, ainda é um dos locais mais contaminados por radioatividade no mundo.
Imediatamente após a explosão, os impactos ecológicos foram severos, de acordo com Jim Smith, professor de ciências ambientais da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido.
Árvores morreram e ficaram com um tom marrom avermelhado em uma área agora chamada de Floresta Vermelha, e houve danos a mamíferos e à vida aquática, disse ele. Mas os elementos radioativos liberados por Chernobyl decaíram rapidamente.
"As doses de radiação caíram muito rapidamente naqueles dias e semanas após o acidente, e o que restou na zona foi uma radiação crônica de baixo nível ao longo de décadas", disse ele.
Esses níveis são inseguros para a habitação humana a longo prazo, mas para outras espécies, a história é diferente.
"A vida selvagem está prosperando em Chernobyl... sem dúvida, acho que a zona de exclusão é muito mais diversa e abundante ecologicamente do que era antes do acidente", disse ele.
A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo
Álbum da Cidade do Rio de Janeiro, produzido em 1920, está na Biblioteca Carioca, aberta na Semana de Arte do Rio
22/09/2026
Estudantes de 14 a 18 anos criam projetos de Sustentabilidade
22/09/2026
Elefante Sandro, que vivia em Sorocaba (SP), é transferido para santuário em Mato Grosso
22/09/2026
Ararinhas-azuis têm controle reforçado após casos de circovírus
22/09/2026
Edital busca soluções que ampliem o acesso à água no Maranhão
22/09/2026
Mymba Kuéra: como foi o monumental resgate de mais de 30 mil animais durante a construção de Itaipu, entre o Brasil e o Paraguai
22/09/2026
