UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Florestas tropicais desmatadas se recuperam rápido sem interferência humana, mostra estudo

05/05/2026

Antes, os cientistas achavam que levaria um século ou mais para que os animais retornassem às áreas desmatadas nos trópicos; agora, uma nova pesquisa descobriu que os ecossistemas podem se recuperar em apenas algumas décadas.
"Foi uma surpresa enorme para todo mundo. Ninguém esperava que fosse tão impressionante e tão rápido", vibra Timo Metz, pesquisador de pós-doutorado da Ucla (Universidade da Califórnia, Los Angeles) e principal autor do estudo, publicado na revista Nature.
As florestas tropicais vêm desaparecendo a um ritmo alarmante há pelo menos cem anos, e milhões de hectares ainda são queimados ou derrubados para extração madeireira, agricultura ou pecuária por ano, ou perdidos para os incêndios. Em 2024, essa taxa chegou a 18 campos de futebol por minuto, totalizando uma área quase do tamanho do Panamá.
Ao mesmo tempo, acredita-se que milhões de hectares anteriormente desmatados estejam se regenerando. Os cientistas descobriram que, no geral, leva mais de um século para que as árvores e plantas assumam totalmente a forma da floresta original —e durante muito tempo presumia-se que os animais levariam o mesmo tempo para retornar.
No entanto, o novo estudo descobriu que isso não é necessariamente verdade. "A expectativa era de que os animais precisavam que a floresta se restabelecesse primeiro, mas para nossa surpresa, boa parte deles se recuperou muito mais rapidamente do que as árvores", explica Metz.
O projeto de pesquisa, realizado em duas reservas naturais no Equador, foi um empreendimento gigantesco que envolveu dezenas de especialistas.
As equipes passaram quatro anos estudando 16 tipos de animais e plantas —incluindo morcegos, insetos, mamíferos terrestres, sapos, pássaros, bactérias, árvores e mudas— em 45 áreas de regeneração, e depois as compararam com mais de uma dúzia de florestas mais antigas, ainda intactas. As que estavam se renovando tinham sido dizimadas para dar lugar a plantações de cacau ou pastagens para gado e se encontravam em diferentes estágios de recuperação.
Só a seleção dos locais levou vários anos de levantamento in loco, a pé; exigiu entrevistas com os moradores; e análise de dados de satélite. A seguir, os pesquisadores precisaram estabelecer um alojamento e espaço de laboratório, então a Fundación Jocotoco, organização de conservação equatoriana sem fins lucrativos, construiu uma estação de pesquisa no meio da área de estudo.
"Em 2021, quando o projeto finalmente começou, todas as camas e todos as cadeiras no laboratório estavam ocupadas", relembra Nina Grella, doutoranda da Universidade de Bayreuth, na Alemanha, e uma das autoras do artigo.
Um entomologista chegou a usar arco e flecha para lançar armadilhas olfativas que imitavam flores na copa das árvores, enquanto outros arrastavam troncos pesados pelas encostas lamacentas para capturar besouros. Não foram poucos os que trabalharam durante a noite, caminhando quilômetros com lanternas de cabeça ou acampando vários dias, tirando medidas de sapos e monitorando redes de captura de morcegos.
Segundo Ana Falconí Lopez, conservacionista que trabalha para o governo equatoriano, a ajuda das comunidades que vivem perto das florestas também foi essencial para o sucesso do projeto. Contratados como "parabiologistas" e "guardas florestais", os habitantes compartilharam as histórias locais, serviram de guia e de auxiliar no laboratório e ajudaram a proteger a reserva. Os agricultores também permitiram a realização de experimentos em suas terras.
O artigo resultante combinou inúmeras análises para mostrar a rapidez com que um ecossistema de floresta tropical pode se recuperar, e constatou que a maioria dos animais retorna em apenas três décadas, em números e níveis de diversidade quase indistinguíveis daqueles em ecossistemas intactos.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

Novidades

Baleias-jubarte voltam a aparecer no litoral do Rio e imagens registram o espetáculo

18/06/2026

Um salto de poucos segundos foi suficiente para transformar uma manhã comum no mar do Rio em um dos ...

Paisagista leva mais de 3 mil plantas para a fachada da CASACOR

18/06/2026

Em sua primeira participação solo na CASACOR São Paulo, a paisagista Maria Fernanda Marques leva sua...

Ameaçado de extinção, surdo e desajustado: conheça sapinho-pingo-de-ouro que mede 1 cm encontrado no ES

18/06/2026

Surdo, desajeitado, do tamanho de uma unha, colorido e sensível: este é o sapinho-pingo-de-ouro, anf...

Superfície coberta por água na amazônia aumenta 2,6%, diz MapBiomas

18/06/2026

Rios, lagos e outros corpos hídricos da amazônia brasileira se recuperaram em 2025 após dois anos co...

Nova Norma da SBTi pode potencializar crédito de carbono da reciclagem

18/06/2026

A agenda climática corporativa vive um momento de inflexão. Durante anos, empresas comprometidas com...