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Chamas da cratera conhecida como portões do inferno no Turcomenistão perdem força

07/05/2026

Pode ser a atração turística mais intrigante do mundo: uma cratera do tamanho de um campo de futebol situada em um deserto árido.
Darvaza, apelidada de portões do inferno, fica no interior do território isolado do Turcomenistão, na Ásia Central.
A cratera está em chamas há décadas. Ao longo dos anos, tornou-se uma atração para visitantes aventureiros e um enigma para cientistas e pesquisadores. Chegou até a servir de cenário para um vídeo de autopromoção de um presidente turcomeno.
Mas as chamas parecem estar se apagando.
Dados de imagens infravermelhas obtidos neste ano mostram que os incêndios dentro da cratera de gás natural estão em declínio. A intensidade do calor das chamas diminuiu mais de 75% nos últimos três anos, de acordo com uma análise da Capterio, empresa que monitora queimas de gás natural.
Em um momento em que tantos incêndios —tanto reais quanto metafóricos — se alastraram pelo mundo, essa deveria ter sido uma boa notícia. O governo do Turcomenistão prometeu por anos extinguir as chamas, citando danos ambientais e prejuízos à saúde das pessoas.
Acontece que a história não é tão simples assim.
Primeiro é útil saber mais sobre a cratera.
Sua origem é misteriosa. Segundo a lenda local, geólogos soviéticos faziam perfurações em busca de petróleo nos anos 1960 ou 1970 quando encontraram um depósito de gás natural no deserto de Karakum. O solo desabou, criando uma enorme cratera. Os geólogos atearam fogo na fenda para conter a emissão de gases tóxicos.
Eles imaginaram que o fogo se apagaria em semanas. Em vez disso, mais de cinco décadas depois, uma rede de túneis repletos de gás continua alimentando as chamas.
"A história é sempre nebulosa", disse Rich Beal, um guia da Koryo Tours baseado na Mongólia que, segundo suas contas, já visitou o local 30 vezes. "Ninguém sabe ao certo."
Darvaza é difícil de visitar. Estrangeiros precisam de visto para entrar na ex-república soviética e só conseguem obtê-lo com uma carta-convite. Procurado pela reportagem, o governo do Turcomenistão não respondeu.
O local, a cerca de quatro horas de carro da capital Ashgabat, há muito tempo atrai aventureiros.
O Turcomenistão afirma que tentou controlar os gases que vazam da cratera. Em uma publicação de 2025 do Turkmen Energy Forum, um grupo do setor, o governo atribuiu a redução das chamas a dois poços perfurados perto da cratera em 2024 para extrair gás natural.
Já a empresa de monitoramento Capterio diz que seus dados sugerem que as chamas podem ter começado a diminuir antes da perfuração dos poços. Não está claro se fatores naturais tiveram algum papel na redução das chamas.
Isso levanta outra questão sobre a cratera: suas emissões de gases de efeito estufa.
Dados da Carbon Mapper, uma organização sem fins lucrativos sediada em Pasadena, Califórnia, mostram que a cratera emitiu uma média de 1.300 quilogramas de metano por hora entre 2022 e 2025.
Essa é uma quantidade significativa, embora muito menor do que os gases liberados por alguns grandes campos de petróleo e gás, segundo Daniel Cusworth, diretor-científico da Carbon Mapper.
As chamas da cratera convertem metano em dióxido de carbono. Isso é bom para o planeta porque o metano, no curto prazo, é "muito mais potente" para o aquecimento do clima do que o dióxido de carbono, de acordo com Mark Davis, CEO da Capterio. O fogo dos portões do inferno impede que o metano seja liberado em sua forma bruta.
A Carbon Mapper coletou sua última leitura em outubro de 2025. Ela mostrou que as emissões de metano haviam aumentado para 1.960 quilogramas por hora. O Turcomenistão, um grande produtor de gás natural, já possui um dos níveis mais altos de emissões globais de metano, segundo a Agência Internacional de Energia. O metano do local de Darvaza representa cerca de 0,2% de suas emissões anuais totais.
Então, por enquanto, mesmo que as chamas estejam menores, isso pode não fazer muita diferença para o planeta. E, como o metano é altamente inflamável, é improvável que os incêndios sejam completamente extintos tão cedo, observou Cusworth.
Em novembro passado, Beal, o guia turístico, visitou o local com um grupo e comentou: "Lembro que ela rugia um pouco mais [em visitas anteriores]". Ainda assim, segundo ele, a cratera continuava impressionante, com chamas subindo de 1,5 a 1,8 metro de altura. O calor era tão intenso, acrescentou, que seu grupo assou marshmallows e preparou café sobre uma fenda recente no fundo da cratera.

Fonte: Folha de S. Paulo

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