
12/05/2026
Jardins de chuva, telhados verdes, pavimentos permeáveis e recuperação de manguezais estão entre as chamadas Soluções Baseadas na Natureza (SbN), estratégias que vêm ganhando espaço no planejamento urbano em diferentes países como alternativa para enfrentar os impactos das mudanças climáticas. Essas intervenções utilizam processos ecológicos e os próprios ecossistemas para reduzir riscos ambientais, melhorar a qualidade de vida nas cidades e fortalecer a resiliência urbana.
Além de contribuírem para a conservação da biodiversidade, as SbNs também ajudam no controle de enchentes, na redução das ilhas de calor, na segurança hídrica e na melhoria da drenagem urbana. O tema tem avançado no Brasil impulsionado por iniciativas técnicas, acadêmicas e institucionais voltadas ao desenvolvimento urbano sustentável.
De acordo com a engenheira agrônoma Gisele Herbst Vazquez, diretora técnica e coordenadora do Comitê de Mudanças Climáticas do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP), as Soluções Baseadas na Natureza exigem planejamento técnico e integração entre diferentes áreas do conhecimento.
“Trata-se de uma abordagem estruturada, que envolve diagnóstico territorial, definição da solução adequada ao contexto, escolha técnica de espécies e mensuração de benefícios pós-implantação”, explica.
Segundo ela, as SbNs representam uma mudança na forma como a infraestrutura urbana é concebida, incorporando elementos naturais como parte essencial do funcionamento das cidades.
As Soluções Baseadas na Natureza são frequentemente apontadas como alternativas ou complementos às chamadas “infraestruturas cinzas”, baseadas predominantemente em concreto e aço. Para o engenheiro civil Hassan Mohamad Barakat, coordenador adjunto do Comitê de Mudanças Climáticas do Crea-SP, essas estratégias combinam eficiência técnica, benefícios ambientais e ganhos sociais.
“Elas podem ser aplicadas isoladamente ou em conjunto com soluções tradicionais, formando sistemas híbridos mais resilientes”, afirma. “Entre os principais ganhos estão, por exemplo, a maior capacidade de adaptação a eventos climáticos extremos, a melhoria da gestão hídrica e a redução de custos de manutenção”, completa.
Entre os principais benefícios das SbNs estão:
↳ redução de enchentes e alagamentos;
↳ aumento da permeabilidade do solo;
↳ melhoria da gestão hídrica;
↳ redução das temperaturas urbanas;
↳ preservação da biodiversidade;
↳ captura de carbono;
↳ menor custo de manutenção em longo prazo.
Apesar das vantagens, especialistas avaliam que ainda existem desafios para ampliar a implementação dessas soluções no Brasil. Um dos principais obstáculos é a predominância histórica de modelos urbanos baseados em intervenções estruturais rígidas. “Há uma preferência histórica por intervenções como canalização de córregos e concretagem de leitos de rios”, diz o engenheiro sobre o planejamento urbano brasileiro.
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