
19/05/2026
O desmatamento na Mata Atlântica registrou, em 2025, o menor índice da série histórica dos principais sistemas de monitoramento ambiental do país. Os dados apontam uma queda de 28% na supressão florestal total e redução de 40% nas áreas de florestas maduras, consolidando uma trajetória de desaceleração no desflorestamento do bioma.
O Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica apontou redução de 53.303 para 38.385 hectares desmatados entre 2024 e 2025 – o menor índice desde o início do monitoramento, em 2022. Já o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, realizado pela SOS Mata Atlântica e pelo INPE desde 1985, revelou um dado ainda mais expressivo: a supressão de florestas maduras caiu de 14.366 para 8.668 hectares, uma redução de 40%.
Pela primeira vez em quatro décadas, o desmatamento anual ficou abaixo de 10 mil hectares em áreas de vegetação madura da Mata Atlântica.
O levantamento foi divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com o MapBiomas, Arcplan e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Segundo especialistas, a redução está diretamente ligada ao fortalecimento das políticas públicas ambientais, fiscalização e pressão da sociedade civil. Entre as principais ações apontadas estão a Operação Mata Atlântica em Pé, a aplicação de embargos remotos e a restrição de crédito a áreas desmatadas ilegalmente, além da afirmação da Lei da Mata Atlântica (primeira legislação específica para a proteção de um bioma brasileiro e referência internacional em conservação de florestas tropicais).
Para Luís Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da SOS Mata Atlântica, os números de 2025 confirmam uma trajetória. “Políticas públicas e instrumentos de controle ambiental funcionam quando são aplicados com seriedade. A celebração, no entanto, precisa vir acompanhada de vigilância. O desmatamento continua acontecendo e, na Mata Atlântica, cada fragmento perdido faz diferença. O desafio é manter essa trajetória até zerarmos o desmatamento”, ressalta.
Apesar da queda geral, alguns estados ainda concentram grande parte da devastação da Mata Atlântica.
Os maiores índices de desmatamento em 2025 foram registrados em:
1️⃣ Bahia — 17.635 hectares;
2️⃣ Minas Gerais — 10.228 hectares;
3️⃣ Piauí — 4.389 hectares;
4️⃣ Mato Grosso do Sul — 1.962 hectares.
Juntos, esses estados responderam por 89% de toda a área desmatada no bioma.
De acordo com o SAD Mata Atlântica, 96% das áreas destruídas foram convertidas para uso agropecuário, com fortes indícios de ilegalidade.
A Mata Atlântica abriga cerca de 70% da população brasileira e concentra mais de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Além da biodiversidade, o bioma é essencial para garantir segurança hídrica, estabilidade climática e produtividade agrícola para a maior parte do país.
Mesmo com os avanços, organizações ambientais demonstram preocupação com mudanças recentes na legislação brasileira.
A aprovação da nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental e da Lei da Licença Ambiental Especial, em 2025, é vista por especialistas como um possível enfraquecimento dos mecanismos de proteção da Mata Atlântica.
Uma das alterações mais criticadas dispensa a anuência do Ibama em determinados processos de autorização de desmatamento, transferindo responsabilidades para órgãos estaduais e municipais.
Segundo Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica, a flexibilização pode comprometer os avanços conquistados. “Os números apontam que o desmatamento cai quando a lei é aplicada com rigor e critérios técnicos. Enfraquecer os instrumentos de proteção agora é arriscar o que levamos anos construindo”, afirma.
O SAD Mata Atlântica identifica áreas desmatadas a partir de 0,3 hectare, permitindo respostas mais rápidas dos órgãos ambientais. Já o Atlas da Mata Atlântica monitora grandes fragmentos florestais acima de três hectares, oferecendo uma visão estratégica sobre a conservação das florestas maduras.
Termine de ler esta matéria clicando no CicloVivo
Álbum da Cidade do Rio de Janeiro, produzido em 1920, está na Biblioteca Carioca, aberta na Semana de Arte do Rio
22/09/2026
Estudantes de 14 a 18 anos criam projetos de Sustentabilidade
22/09/2026
Elefante Sandro, que vivia em Sorocaba (SP), é transferido para santuário em Mato Grosso
22/09/2026
Ararinhas-azuis têm controle reforçado após casos de circovírus
22/09/2026
Edital busca soluções que ampliem o acesso à água no Maranhão
22/09/2026
Mymba Kuéra: como foi o monumental resgate de mais de 30 mil animais durante a construção de Itaipu, entre o Brasil e o Paraguai
22/09/2026
