
26/05/2026
Um levantamento em sedimentos, peixes e invertebrados que vivem em águas brasileiras profundas, entre 400 e 1.500 metros abaixo da superfície, aponta a presença de microplásticos e dos chamados POPs (poluentes orgânicos persistentes). As coletas foram realizadas na Bacia de Santos, distante cerca de 140 quilômetros da costa.
O estudo foi publicado no Marine Pollution Bulletin por pesquisadores do IO-USP (Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo) e do Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares).
"Esse é mais um passo para entendermos a ocorrência desses poluentes no mar profundo do Brasil. O maior desafio, porém, é determinar a origem dos compostos, já que tanto microplásticos quanto POPs são transportados na atmosfera, e como eles impactam a fauna de profundidade", conta Gabriel Stefanelli-Silva, primeiro autor do estudo, realizado durante doutorado no IO-USP com bolsa da Fapesp.
O trabalho teve orientação de Paulo Sumida, coordenador do Laboratório de Ecologia e Evolução de Mar Profundo do instituto.
O estudo integra ainda o projeto "Diversidade e evolução de peixes de oceano profundo", apoiado pela Fapesp no âmbito do Programa Biota e coordenado por Marcelo Roberto Souto de Melo, professor do IO-USP que também assina o trabalho.
No estudo, duas categorias de POPs foram analisadas em sedimentos e nos peixes: os PCBs (bifenilas policloradas), que são isolantes elétricos, e os PBDEs (éteres difenílicos polibromados), que atuam como retardantes de chamas.
Nos sedimentos, os únicos POPs detectados foram os PCBs. Já nos peixes as duas classes de poluentes persistentes foram encontradas. Entre as espécies estudadas estavam Parasudis truculenta, Hoplostethus occidentalis, Coelorinchus marinii e Neoscopelus macrolepidotus.
As amostras foram obtidas durante dois cruzeiros do navio oceanográfico Alpha Crucis, da USP, que realizou uma série de coletas para diferentes estudos em setembro e novembro de 2019.
Enquanto a análise dos sedimentos e dos peixes buscou pelos POPs, nos invertebrados o objetivo foi avaliar a presença de microplásticos, que são fragmentos de plástico com menos de 5 milímetros de comprimento.
"Mesmo quando a origem da poluição plástica é a costa, em algum momento essas partículas chegam ao mar profundo, como é chamado todo o ambiente marinho a partir de 200 metros de profundidade. Organismos detritívoros [que se alimentam de detritos no leito marinho] e filtradores são especialmente propícios a ingerir microplásticos", explica Stefanelli-Silva.
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