
09/06/2026
Às 6h, o sol sobre o distrito de Banda parecia ter esquecido que o meio-dia ainda não havia chegado.
A luz tinha o brilho intenso de uma tarde de verão. As sombras já encurtavam antes do café da manhã.
Em maio, esse distrito poeirento do estado indiano de Uttar Pradesh passou dias no topo de um ranking nacional nada invejável: o lugar mais quente do país.
As temperaturas ficaram entre 47ºC e 48ºC por mais de uma semana, algo extraordinário até mesmo para os padrões locais.
O que chamou atenção, porém, foi a forma como as pessoas se adaptaram.
Os mais de 2 milhões de habitantes de Banda, que dependem da agricultura, da construção, do transporte e de outros trabalhos ao ar livre, não tinham alternativa senão suportar o calor. Então, reorganizaram a vida em torno disso.
A 30 quilômetros do centro do distrito, o mercado de hortaliças de Atarra fechava as portas antes que a maioria das cidades sequer despertasse por completo.
Os agricultores chegavam ao amanhecer com tomates, abóboras, pimentas, limões e melões. Queriam vender rápido e voltar para casa antes que o calor se intensificasse.
"Olhem o sol", disse Himanshu, comerciante em pé ao lado das caixas de tomates. "São apenas 6h15, mas parece que são 8h ou 9h."
O calor encurtava a vida útil dos produtos tanto quanto encurtava o expediente do mercado. "Uma caixa de tomates precisa ser vendida hoje ou amanhã. Com esse clima, eles não duram."
Onde antes a movimentação se estendia até o fim da manhã, agora começava a esvaziar às 8h. Às 10h, o mercado estava quase deserto.
O mesmo horário reduzido rege quase tudo em Banda.
Entre o céu incandescente e o solo escaldante, as pessoas fazem o que o jornalista polonês Ryszard Kapuściński observou certa vez em outra paisagem ardente da África: dedicar a energia à busca por "sombra e brisa".
Pappu Verma é pedreiro e agora trabalha das 7h ao meio-dia e depois das 16h às 19h. As quatro horas no meio do dia são para esperar o pior do calor passar.
"Ainda assim você tem que cumprir oito horas", afirma. "Trabalhe sem parar no sol ou pare e recomece, o pagamento é o mesmo."
O descanso o livra de dores de cabeça e tontura provocadas pelo calor, mas estica o dia dele para 12 ou 13 horas. Se não fizesse assim, comenta dando de ombros, ´o que eu ganho seria gasto com remédio".
Termine de ler esta matéria clicando no g1
Álbum da Cidade do Rio de Janeiro, produzido em 1920, está na Biblioteca Carioca, aberta na Semana de Arte do Rio
22/09/2026
Estudantes de 14 a 18 anos criam projetos de Sustentabilidade
22/09/2026
Elefante Sandro, que vivia em Sorocaba (SP), é transferido para santuário em Mato Grosso
22/09/2026
Ararinhas-azuis têm controle reforçado após casos de circovírus
22/09/2026
Edital busca soluções que ampliem o acesso à água no Maranhão
22/09/2026
Mymba Kuéra: como foi o monumental resgate de mais de 30 mil animais durante a construção de Itaipu, entre o Brasil e o Paraguai
22/09/2026
