
09/06/2026
O Greenpeace Brasil detalha, em um novo relatório, como o ouro extraído ilegalmente da Amazônia é inserido no mercado global por meio de um sofisticado esquema de lavagem. O documento, publicado na quarta-feira (3), revela o uso de "minas fantasmas" que, embora estejam inativas, mantêm permissões de exploração mineral artesanal e são utilizadas para declarar grandes volumes de ouro obtidos de forma ilícita.
Segundo a organização, essa prática é facilitada pela ausência de um sistema confiável de rastreabilidade por parte das autoridades, permitindo que a produção ilegal seja incorporada aos circuitos comerciais legítimos.
A pressão sobre a floresta tem sido impulsionada pela instabilidade global, que consolidou o ouro como um ativo de refúgio e elevou seu preço de aproximadamente € 35 para € 140 por grama ao longo dos últimos sete anos. Apenas em 2025, o valor do metal registrou alta de 60%, incentivando garimpeiros a avançarem sobre áreas de conservação e territórios indígenas antes preservados.
Como consequência, a destruição já alcança quase 100 mil hectares de florestas protegidas no Brasil, gerando graves impactos ambientais e sociais.
O uso de mercúrio na separação do ouro contamina rios e a fauna, afetando diretamente a saúde das populações locais que dependem desses recursos hídricos. Além disso, a atividade compromete a segurança alimentar das comunidades indígenas ao desestruturar práticas agrícolas tradicionais.
O avanço do garimpo também favorece a disseminação da violência, de doenças, da exploração sexual e do tráfico de seres humanos na região. O cenário é agravado pela atuação de poderosas organizações ligadas ao crime organizado em diferentes áreas da Amazônia.
O novo estudo complementa o relatório "Toxic Gold", publicado em 2025, ao demonstrar que o ouro ilegal percorre cadeias internacionais de suprimento pouco transparentes até chegar a refinarias e centros comerciais vinculados ao Canadá e à Europa. Especialistas alertam que a combinação entre desmatamento e mudanças climáticas está empurrando a Amazônia para mais perto de um ponto de não retorno.
Fonte: g1
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