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Tatu-bola, mascote da Copa de 2014, ganha plano de conservação

11/06/2026

Quem se lembra do “Fuleco”? Mascote da Copa do Mundo de 2014, o personagem foi inspirado na espécie Tolypeutes tricinctus (tatu-bola-da-caatinga), um animal exclusivamente brasileiro. Após mais de uma década da edição, o tatu-bola segue ameaçado de extinção e integra as estratégias de conservação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Atualmente classificado como vulnerável à extinção, o tatu-bola ocorre em dois biomas: a Caatinga e o Cerrado. A espécie enfrenta ameaças crescentes relacionadas ao avanço do desmatamento, à degradação ambiental e à perda de habitat natural. Dados do PAN Tata indicam que o Tatu-bola já perdeu cerca de 50% de sua área original de ocorrência ao longo das últimas décadas.
O nome tatu-bola refere-se à característica de se fechar completamente, formando uma bola, para se defender de predadores. Tal comportamento contribuiu para a escolha do animal como mascote da Copa, mas isso não seria possível sem a campanha liderada pela Associação Caatinga. A organização da sociedade civil, fundada em 1998, teve papel importante na mobilização que levou o animal a se tornar símbolo do Mundial realizado no Brasil, utilizando a visibilidade do evento esportivo para ampliar o debate sobre a preservação da Caatinga e das espécies ameaçadas de extinção.
A relação entre a ONG e o tatu-bola nasceu a partir das ações de conservação desenvolvidas na Reserva Natural Serra das Almas, área localizada entre os estados do Ceará e Piauí, gerida pela Associação Caatinga, e considerada uma das poucas regiões onde a espécie ainda pode ser encontrada na natureza.
Apesar do apelo midiático, sobretudo pelo polêmico nome “fuleco”, o mascote ainda não alcançou o resultado almejado por organizações ambientais. “Apesar de toda a visibilidade conquistada nos últimos anos, o animal continua ameaçado pela perda de habitat e pela degradação da Caatinga e do Cerrado”, destaca Daniel Fernandes, diretor-executivo da Associação Caatinga.
Assim como outros ambientalistas, a Associação chegou a criticar a falta de ações concretas para a preservação da espécie. Durante a Copa, um milhão de pelúcias do personagem Fuleco começaram a ser fabricadas na China e comercializadas pela FIFA, mas nem um centavo da venda dos produtos foi destinado ao plano de conservação.
Visando promover a conscientização sobre a preservação da espécie e de seu habitat, foi criado, na época, um Plano de Ação Nacional (PAN) pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). As estratégias de proteção chegam agora a um novo ciclo com o PAN TATA (Plano de Ação Nacional para a Conservação do Tamanduá-bandeira, Tatu-canastra e Tatu-bola).
Em prol da conservação de tatus e tamanduás, a iniciativa visa contemplar quatro espécies: o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), o tatu-canastra (Priodontes maximus), o tatu-bola (Tolypeutes tricinctus) e o tatu-bolinha (Tolypeutes matacus), espécie de tatu-bola mais presente no Pantanal.
A entidade que atua na conservação da Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro e um dos mais ameaçados do país, integra o grupo de apoio à coordenação do plano. Segundo a Associação, entre as ações incluídas no novo ciclo estão propostas voltadas à identificação de áreas prioritárias para a criação de unidades de conservação, ações de educação ambiental para divulgação e sensibilização sobre o tatu-bola, além de medidas relacionadas à prevenção e ao combate a incêndios florestais em regiões de ocorrência da espécie.
“Proteger o tatu-bola é também proteger a biodiversidade brasileira e os ecossistemas onde ele vive”, conclui Fernandes.

Fonte: CicloVivo

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