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Mudança climática pode eliminar até 34% das plantas usadas por povos da Amazônia, diz estudo

09/07/2026

A mudança climática pode provocar o desaparecimento local de até 34% das plantas usadas por povos indígenas da Amazônia entre 2060 e 2080, aponta um estudo publicado na revista científica “Nature” nesta quarta-feira (08).
A perda dessas espécies também ameaça práticas ligadas à alimentação, à medicina, à construção, aos rituais e a outras atividades do cotidiano.
Pelas projeções dos pesquisadores, entre 18% e 23% dos usos associados às plantas podem desaparecer nas comunidades analisadas.
O estudo aponta ainda outro risco: a perda das línguas indígenas. Caso os idiomas atualmente ameaçados deixem de ser falados, a Amazônia pode perder 26% do conhecimento documentado sobre as plantas e suas funções.
Para realizar a pesquisa, os cientistas reuniram 90.536 registros encontrados em 700 fontes publicadas entre 1504 e 2023.
A base inclui informações de todos os países da Bacia Amazônica e de 156 línguas indígenas.
O levantamento identificou pelo menos 5.796 espécies de plantas nativas usadas pelas populações da região. O número corresponde a mais de um terço das plantas com sementes conhecidas na Amazônia.
Entre os usos registrados estão a produção de alimentos, remédios, ferramentas, materiais para moradias, combustíveis, roupas e itens ligados a cerimônias e tradições culturais.
As plantas medicinais aparecem com destaque. Os pesquisadores encontraram 3.862 espécies usadas para tratamentos de saúde, mais que o dobro das 1.804 espécies ligadas à alimentação.
Palmeiras estão entre as plantas mais citadas no levantamento, como a pupunha, o patauá, o buriti e o açaí-do-amazonas, espécies que têm importância para a segurança alimentar e para práticas culturais de diferentes comunidades.
As populações indígenas concentram a maior parte desse conhecimento.
Segundo o estudo, elas registraram usos para 4.305 espécies, quatro vezes mais que os grupos não indígenas incluídos na análise.
Boa parte dessas informações também é restrita a uma única cultura. Cerca de 74% dos usos registrados aparecem associados a somente um povo, o que torna esse conhecimento especialmente vulnerável.

Fonte: g1

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