
16/07/2026
A chance de um super El Niño aumentou, chegando a 81% entre outubro e dezembro. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (9) pela Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) dos Estados Unidos. A última previsão da agência, de junho, era de 63% de possibilidade de um evento muito forte entre novembro deste ano e janeiro de 2027.
No mês passado, o órgão confirmou o início do fenômeno climático, caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas do oceano Pacífico equatorial —ao contrário da La Niña, que ocorre quando a superfície nesta região está mais fria do que o normal.
"O El Niño se intensificou no último mês", afirma a Noaa, uma das maiores autoridades do mundo em clima, meteorologia e ciência oceânica. A agência estima que o El Niño deste ano pode ser um dos mais intensos desde o início de seus registros, em 1950, e deve durar, ao menos, até o início do outono, em abril do próximo ano.
Ainda que possa influenciar eventos climáticos extremos, um El Niño mais forte não quer dizer, necessariamente, que terá consequências mais graves. Mas essa classificação aumenta as chances de que os impactos mais característicos do fenômeno ocorram, com tempestades, secas ou ondas de calor mais intensas, a depender da região do planeta.
No Brasil, o fenômeno tende a provocar seca nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste e mais chuvas na região Sul. Assim, com a nova previsão da Noaa aumentam as chances de um verão excepcionalmente quente em grande parte do país.
"O El Niño acaba favorecendo essa intensidade em algumas regiões que são mais sensíveis à mudança de circulação atmosférica que ele gera", explica o meteorologista Tércio Ambrizzi, diretor do IEA-USP (Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo).
"Ele também acaba favorecendo o aumento do número de ondas de calor, embora o próprio aquecimento global já esteja contribuindo para isso", ressalta Ambrizzi, que pesquisa o fenômeno.
Diante do El Niño, uma recomendação do Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo, publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (8), dá um prazo de 30 dias para estados tomarem medidas concretas para a prevenção de incêndios florestais.
A resolução, assinada pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança Climática, João Paulo Capobianco, determina que as unidades da Federação e o Distrito Federal devem fazer o seguinte: informar áreas prioritárias para prevenção e combate a incêndios, elaborar planos de manejo do fogo e aprovar a regulamentação de medidas para preparação de imóveis rurais.
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