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Onda de calor marinho nos Estados Unidos põe baleias e aves em perigo

04/08/2026

Na costa da Califórnia, Estados Unidos, a guia Sara Lesser, do aquário de Long Beach, observa dezenas de golfinhos brincando na água. A cena é uma raridade em meio à atual onda de calor marinho.
"O número de baleias e de golfinhos que temos observado [em 2026] é menor do que veríamos em um ano normal", afirma à AFP.
O aquecimento da superfície do oceano faz com que as anchovas e sardinhas de que esses mamíferos se alimentam migrem para águas mais frias, mais profundas ou mais ao norte.
Lesser diz que as espécies seguem a comida e conscientiza turistas que participam de passeios de observação da fauna que a dificuldade para avistar cetáceos é um prenúncio de mudanças drásticas no ecossistema marinho.
A temperatura na superfície no litoral californiano está atualmente de 3°C a 4°C acima do normal, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa, na sigla em inglês).
Essa onda de calor é preocupante porque coincide com o retorno do fenômeno El Niño, que aquece as águas do Pacífico equatorial e desregula periodicamente o clima do planeta.
"É muito provável que este episódio de El Niño seja mais poderoso que o de 2015-2016", diz Andrew Leising, especialista em fenômenos climáticos da Noaa, lembrando que, naquela época, outra onda de calor oceânico sem precedentes traumatizou o estado.
O oceano ficou tão quente que milhares de aves morreram por não conseguir pescar na superfície. Leões-marinhos e baleias desnutridos apareceram encalhados nas praias.
Nos últimos meses, dezenas de pelicanos e corvos-marinhos foram encontrados mortos perto de San Diego.
Leising antecipa que outra espécie começará a sofrer com o calor do oceano: os emblemáticos leões-marinhos da Califórnia. Quando as temperaturas sobem, as fêmeas abandonam suas crias porque vão para outros lugares em busca de alimento.
O calor também favorece a proliferação de algas tóxicas que contaminam as anchovas e sardinhas que elas ingerem. Na baía de Monterey, ao sul de San Francisco, há tantas algas tóxicas que duas baleias-jubarte foram encontradas mortas na praia no início de junho.
A temperatura mais alta do mar também leva os tubarões a se aproximarem da costa. Na semana passado, um morador de Malibu publicou um vídeo de um tubarão-branco nadando a poucos metros de algumas crianças.
Neste ano, já houve a proibição de banhos de mar na cidade de Huntington Beach por três vezes devido à aparição de tubarões de espécies consideradas agressivas.
A mudança climática, provocada pelo acúmulo de gases de efeito estufa gerados por atividades humanas, faz com que todos esses sintomas do desequilíbrio ambiental fiquem cada vez menos excepcionais. A Califórnia sofre ondas de calor marinho todos os anos desde 2019.

Fonte: Folha de S. Paulo

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