
06/08/2026
Em uma sexta-feira de junho, Christiane Bielenski, 38, levou seu pai e seus filhos pequenos a uma área às margens do lago Krumme Lanke, no oeste de Berlim. Era um dia agradável para brincar na água, jogar cartas e construir castelos de areia, como ela fazia durante sua infância na Baviera.
Com uma exceção. Não era tão quente assim quando ela era jovem, segundo Bielenski. "Definitivamente não era."
As temperaturas em Berlim e no restante da Alemanha ultrapassaram os 38°C em junho, quebrando recordes e deixando milhares de mortos a mais do que normalmente seria registrado nesta época do ano. Outra onda de calor atingiu a região na semana passada.
Essa é a nova realidade na Europa, o continente que aquece mais rápido no mundo, onde crianças estão crescendo com uma versão radicalmente diferente do verão daquela que seus pais ou avós vivenciaram.
"A geração que estava na escola nos anos 1970 viveu em uma época muito diferente", disse Achim Steiner, 65, presidente da Conferência de Sustentabilidade de Hamburgo, que trabalha para mitigar e se adaptar às mudanças climáticas.
Steiner relembrou sua juventude no noroeste da Alemanha, perto de Osnabrück, onde sua escola tinha uma política de fechar se a temperatura ultrapassasse 27°C. Isso, segundo ele, acontecia uma vez a cada poucos anos.
Mas nos últimos dois anos, acrescentou ele, "teríamos tido dias e dias de escolas fechadas".
Isso está mudando a forma como as crianças veem o verão.
"Em alguns dias está quente demais, e o calor é simplesmente sufocante. Sou mais uma pessoa de inverno", disse Sophia Nachtsheim, 15, que visitou Krumme Lanke na última quinta-feira (30) com sua mãe e três irmãos mais novos.
"Dá para perceber que está ficando mais quente a cada ano. É bem assustador", afirmou a adolescente.
Alba Ostermann, 7, também se refrescou no lago na quinta-feira com sua mãe, Isabel. Ela contou que o calor havia tornado impossível para a filha dormir em seu quarto, fazendo com que fosse para uma barraca no quintal.
"Estou acampando no jardim!", confirmou Alba.
A Alemanha e a Europa têm registrado aumentos drásticos nas temperaturas de verão nas últimas décadas, em grande parte como consequência da queima de combustíveis fósseis.
Dados do Serviço Meteorológico Alemão mostram que o número de dias extremamente quentes por verão dobrou desde a década de 1990 e triplicou desde o início dos anos 1960.
Esse aumento impactou o planejamento de viagens.
A União Europeia diz que os viajantes estão cada vez mais evitando as praias escaldantes do Mediterrâneo durante o verão e, em vez disso, passando férias mais ao norte. Destinos do sul, como a Espanha, registraram um aumento de visitas na primavera e no outono, quando as temperaturas são mais amenas.
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