
15/09/2026
Em 2025, a água do Moosi Rani Sagar — um "baori", ou poço com degraus, na cidade de Alwar, no estado indiano do Rajastão — transbordou para a calçada pela primeira vez em mais de 30 anos.
O poço com degraus, um grande reservatório onde se acessa a água por meio de lances de escada, faz parte de um sistema histórico de captação de água construído no início do século 19. Até 2021, os níveis de água do poço, que ocupa cerca de 0,5 hectare, eram irregulares e a água estava fortemente contaminada.
Hoje, no entanto, ele contém água a profundidades de até 9 metros. Vijay Sarswat, um morador de Alwar de 60 anos, afirma que o nível raramente cai abaixo de 6 metros, mesmo durante os meses mais secos do ano.
O poço restaurado reforça a ideia de que algumas das ferramentas mais úteis para a gestão da água em um clima cada vez mais quente e imprevisível podem ser bem antigas e estarem inclusive semienterradas sob a lama.
Em toda a Índia, centenas de comunidades estão chegando a conclusões semelhantes. O que durante muito tempo foi considerado uma relíquia cultural — isto é, formas tradicionais de gestão da água abandonadas há décadas — está sendo reconhecido hoje como sistemas resilientes às mudanças climáticas, que funcionaram por mais de mil anos e estão prontos para voltar a ser utilizados.
Nos últimos anos, a Índia tem recorrido cada vez mais à recuperação de antigas estruturas hidráulicas como forma de enfrentar a iminente crise hídrica do país.
No caso de Moosi Rani Sagar, foi um consórcio de organizações sem fins lucrativos que se propôs a restaurar o sistema em 2021, com a esperança de combater a grave escassez de água e resgatar esse patrimônio histórico de 200 anos.
Esse é apenas um exemplo do que um novo investimento pode alcançar quando associado à infraestrutura tradicional, em vez de substituí-la.
Os sistemas recuperados na Índia recebem muitos nomes: "baori", "johad", "kund", "tanka", "nadi". Todos são estruturas tradicionais que abasteceram grande parte das regiões rurais do país durante séculos e que deixaram de ser utilizadas, em muitos casos, apenas nos últimos 200 anos.
Eles funcionam de maneira diferente, mas compartilham o mesmo propósito: desacelerar o fluxo da água para favorecer a infiltração no solo.
Os "baoris" — ou antigos poços escalonados, com grandes estruturas de pedra talhada e degraus que descem até o lençol freático, permitindo o acesso à água subterrânea — são os mais impressionantes.
Milhares desses poços subterrâneos desativados, construídos entre o século 7º e meados do século 19, pontilham a paisagem da Índia.
De Nova Délhi a Jodhpur, dezenas deles foram restaurados nos últimos anos.
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