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Brasil é o segundo país mais perigoso para ativistas ambientais, segundo relatório mundial

17/09/2026

No Brasil, 26 pessoas foram assassinadas em 2025 por resistirem a invasões de suas terras, florestas e territórios. O número representa o dobro do registrado no ano anterior e recoloca o país entre os mais violentos do planeta para quem atua na proteção do meio ambiente. Entre as vítimas brasileiras citadas no documento, 11 eram pequenos agricultores e sete eram indígenas.
Os dados fazem parte do relatório anual "Collective Power", publicado pela Global Witness, organização internacional que monitora, desde 2012, mortes e desaparecimentos de pessoas que se opõem à exploração predatória de recursos naturais. O levantamento mostra que a América Latina concentrou 85% dos 124 assassinatos documentados globalmente no último ano.

O relatório aponta que das 26 vítimas:

➨ sete estavam relacionados a reivindicações indígenas por reconhecimento de território ancestral;
➨ 14 envolviam pleitos de reforma agrária de pequenos agricultores e comunidades quilombolas.

Os demais casos não são detalhados no documento.
Os estados de Rondônia e Pará concentraram metade dos casos registrados. De acordo com a Global Witness, isso acontece pela pressão em busca por terras de atividades ilegais, como o garimpo ilegal, que vem pressionando, principalmente, terras indígenas. Além da extração ilegal de madeira e produção de gado em terras ilegais.
O documento aponta que o Brasil vive um momento sensível para os direitos humanos e questões ambientais. Isso porque no relatório publicado em 2025, com dados de 2024, o número de mortes estava em 13 -- metade do que foi visto agora.
E o relatório reconhece alguns avanços que o Brasil teve até aqui e que podem reduzir esses números, como a a titulação de dez territórios indígenas, que oferece maior proteção à população. Além dos movimentos de repressão às atividades ilegais, como a fiscalização contra o garimpo ilegal e ao desmatamento, que coloca pressão sobre a terra e a quem vive nessas regiões.

Vizinha do Brasil, a Colômbia aparece como o país mais letal do mundo para defensores ambientais, com 39 mortes contabilizadas em 2025 — número que, apesar de representar queda em relação às 48 do ano anterior, ainda coloca o país à frente de qualquer outro no ranking global.
Quase metade das vítimas era indígena, e outras 15 eram pequenos agricultores; 35 das 39 mortes tiveram relação direta com conflitos de terra.
O relatório aponta o departamento de Cauca, no sudoeste colombiano, como o epicentro dessa violência: 13 assassinatos em 2025, incluindo quatro integrantes de guardas indígenas — sistemas de autodefesa comunitária que monitoram o território e confrontam invasores. Desde 2012, a região já soma 171 casos, o maior número entre todos os departamentos do país.
E o que explica isso? A proximidade com a fronteira equatoriana e o acesso a rotas de exportação pelo Pacífico transformaram Cauca em corredor estratégico para o narcotráfico. O cultivo de coca na área quintuplicou na última década, à medida que grupos armados colombianos e cartéis mexicanos ampliaram influência sobre o território — dinâmica que também acelera o desmatamento e a contaminação de rios, segundo o levantamento.
A Global Witness identificou suspeita de ligação com o crime organizado em 17 das mortes colombianas registradas no ano, e outras cinco foram atribuídas a assassinos de aluguel.

Veja o ranking dos países clicando no g1

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