
24/09/2026
A China ampliou sua vantagem em energia limpa em meio à guerra no Irã, à volatilidade dos mercados de petróleo e gás e ao boom dos data centers, aponta relatório divulgado na última terça-feira (22), às vésperas da primeira visita de Estado de Xi Jinping à Casa Branca em mais de uma década.
A China concentra hoje 57% de todos os investimentos anunciados em fabricação de tecnologias de energia limpa no mundo. Segundo o estudo, o país continua superando os Estados Unidos por larga margem em investimentos, implantação e exportações dessas tecnologias.
A distância aumentou neste ano, justamente quando o governo Trump adotou medidas para restringir o avanço dessas indústrias nos Estados Unidos. O relatório A próxima fase da corrida pela energia limpa, da Atlas Public Policy e do Clean Power Information Project, aponta que essa vantagem ganha peso estratégico diante da guerra dos EUA no Irã e do forte aumento da demanda por eletricidade dos data centers de inteligência artificial.
“Estamos em meio a uma recalibragem da economia limpa. A China ainda domina, mas as preocupações com o excesso de capacidade estão pressionando as empresas chinesas a exportar mais e buscar oportunidades de investimento no exterior. Enquanto isso, as empresas dos Estados Unidos ainda estão tentando encontrar seu rumo depois de um 2025 caótico”, afirmou Tom Taylor, da Atlas Public Policy.
“Todos estão tentando se proteger da turbulência nos mercados de energia. As tecnologias limpas são uma das melhores maneiras de fazer isso, o que favorece as indústrias chinesas, que vêm investindo nessas tecnologias há décadas”, completa.
Os autores do relatório observam que o momento da visita de Xi torna essas conclusões particularmente evidentes. Enquanto os dois presidentes se reúnem para discutir comércio, tarifas e a relação bilateral de forma mais ampla, os dados mostram uma corrida cada vez mais desequilibrada: a China dita o ritmo em implantação, exportações e investimentos em fabricação, chegando à cúpula com um grau de segurança energética decorrente de seu domínio em energia limpa, enquanto os Estados Unidos permanecem muito atrás e sobrecarregados pelo aumento dos custos de energia.
O investimento acumulado anunciado em fabricação de tecnologias limpas nos Estados Unidos desde 2019 soma US$ 249 bilhões — menos de um quarto dos US$ 1,19 trilhão em investimentos globais totais, cuja maior parte é liderada por empresas chinesas (US$ 673 bilhões). Somente no primeiro semestre de 2026, o investimento líquido da China, de US$ 16,7 bilhões, foi mais de três vezes superior aos US$ 5,2 bilhões dos Estados Unidos no mesmo período.
O relatório conclui que a China está mais bem posicionada do que muitas economias importadoras de petróleo para enfrentar a volatilidade dos mercados globais de petróleo provocada pela guerra no Irã, em parte graças à posição dominante do país em energia limpa. No mercado doméstico, em maio de 2026, a China respondia por 49% de toda a capacidade solar instalada no mundo, 50% de toda a capacidade eólica instalada e 63% de todas as vendas globais de veículos elétricos. Nenhum outro país chega sequer perto desses números.
Solar e baterias foram as únicas tecnologias limpas a registrar investimento líquido positivo no primeiro semestre de 2026 — US$ 4 bilhões e US$ 1,1 bilhão, respectivamente. O boom global dos data centers está impulsionando boa parte desse crescimento, e algumas montadoras estão redirecionando investimentos de baterias para veículos elétricos para o armazenamento estacionário de energia. GM, Ford e Honda anunciaram, no primeiro semestre de 2026, novos planos para fabricar baterias destinadas a data centers.
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