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Planeta perde vida selvagem, mas casos de sucesso apontam saídas

13/10/2026

Eles nunca andam sozinhos pela floresta. De pelagem alaranjada e baixa estatura, de até 20 centímetros, o mico-leão-dourado já é avistado em maior quantidade na única região onde vive, no interior do Rio de Janeiro. Quem tem a sorte de cruzar com um bando desses primatas se emociona com o encontro.
A situação desses animais hoje é incomparável ao que se viu em 1970, quando quase desapareceram de vez. Ameaçado criticamente de extinção, resumidos a 200 indivíduos à época, o mico ganhou proteção nas últimas décadas e pode se reproduzir em paz.
"Foram mudanças na legislação, criação de áreas protegidas, redução drástica do desmatamento e engajamento social", cita alguns ingredientes da receita Luis Paulo Ferraz, secretário executivo da Associação Mico-Leão-Dourado.
Atualmente, cerca de 4.800 micos circulam pela mata atlântica. O caso é um dos maiores sucessos da história da conservação no Brasil. O roteiro deu certo e pode funcionar em qualquer lugar do mundo. Mas ainda é uma exceção diante da velocidade com que a vida selvagem desaparece.
América Latina e Caribe são os lugares onde esse declínio é mais acentuado. Entre 1970 e 2022, populações de espécies monitoradas encolheram 95%. O retrato é capturado pelo Índice Planeta Vivo, da ONG WWF, divulgado nesta quinta-feira (8).
O número é uma má notícia, mas o foco da equipe responsável pelo levantamento está em outro ponto: na chamada ciência da esperança.
"O dado negativo é real. Mas há razões, evidências científicas, para ter a esperança de que mudar é possível. E queremos mostrar isso apontando espécies que se recuperaram e, assim, incentivar ações parecidas", diz à DW Kirsten Schuijt, diretora geral do WWF.
Publicado a cada dois anos, o índice quase sempre traz a mensagem devastadora: grupos de animais selvagens estão em queda. A média global mostra um declínio de 73,2% entre 1970 e 2022.
A taxa é calculada com base no monitoramento de 35.803 populações de mais de 5 mil espécies de vertebrados. O índice mede mudanças relativas no tamanho dessas populações e mostra que aproximadamente metade delas está estável —ou crescendo. As perdas na outra metade são tão grandes que puxam a média para baixo.
"Se você continua repetindo a mesma mensagem negativa, há um risco de levar as pessoas à apatia. As pessoas pensam que, não importa o que elas façam, o cenário não vai mudar", explica Schuijt a estratégia de propagar a esperança.
A trajetória recente dos tigres selvagens, maiores felinos da Terra e sob forte ameaça, também traz um alento. Nos últimos quinze anos, o número global estimado desses animais saltou de 3,2 mil para 5,7 mil, um aumento de 70%.
Segundo o relatório, essa é a primeira reversão documentada do declínio de longo prazo. A receita não foi muito diferente daquela aplicada no caso dos micos: planos nacionais, áreas protegidas, profissionalização da fiscalização, combate ao tráfico e cooperação. Mas ainda existe um longo caminho, já que os tigres ocupam menos de 8% de seu território original.

Continue lendo esta reportagem acessando a Folha de S. Paulo

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