
31/01/2013
Imagine plantas crescendo vigorosas e mais rapidamente! Agora pense que, em vez de fertilizante comum, elas foram cultivadas em terra adubada com lodo de esgoto. Pois essa é exatamente a proposta da pesquisadora Fabiana Soares dos Santos, da Universidade Federal Fluminense (UFF), que, com recursos do edital Prioridade Rio, da FAPERJ, está testando o reaproveitamento do material resultante das usinas de tratamento. Com elevado teor de matéria orgânica, o lodo do esgoto doméstico pode transformar-se em importante aliado da agricultura, um fertilizante mais eficiente do que o substrato comercial, hoje empregado. E pode contribuir para o desenvolvimento de certas culturas, como a do milho.
"O material para uso agrícola precisa seguir os critérios da resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), em que devem ser observados os níveis máximos permitidos de contaminação orgânica, inorgânica (por metais pesados) e biológicos (coliformes fecais, ovos de helmintos, etc.). Por isso trabalhamos com esgoto doméstico, em que não há rejeitos industriais", explica a pesquisadora.
A partir de uma parceria entre a universidade, a prefeitura de Volta Redonda e o Serviço Autônomo de Água e Esgoto do município, a equipe está avaliando o reaproveitamento desse lodo. Numa primeira etapa, o projeto procede à caracterização do material, por meio de análises químicas, microbiológicas e parasitológicas, comparando com os teores máximos admitidos na legislação para uso agrícola. "Uma vez essa análise feita, misturamos a esse lodo restos de folhas, galhos e outros resíduos do gênero, resultantes da limpeza de ruas. A partir daí, o material é submetido a um processo de compostagem, e analisamos a fertilidade do composto gerado quanto ao seu potencial como substrato para produção de mudas", explica Fabiana.
Pelo que pôde observar até agora, os resultados são mais do que animadores. "Os níveis de coliformes fecais, salmonelas e ovos viáveis de helmintos puderam ser reduzidos durante a compostagem", afirma a pesquisadora. Para quem não sabe, a compostagem é um processo biológico em que microrganismos transformam matéria orgânica, como estrume, folhas, papel e restos de comida, em um material semelhante à terra, que pode ser utilizado como adubo.
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