
19/02/2013
"Tenho mais medo do mercúrio do que do aquecimento global. É uma questão mais grave, muito mais séria. Pior que o amianto, que é cancerígeno e afeta quem usa e quem trabalha com ele. O mercúrio se difunde e contamina o ambiente, os peixes e as pessoas que comem os peixes. Espalha-se na atmosfera. É um veneno que atinge a todos". O desabafo é do físico Ennio Candotti, dono de extenso currículo acadêmico, duas vezes presidente da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC) e atualmente diretor do Museu da Amazônia, em Manaus.
Candotti cita uma preocupação que é unanimidade em torno do mercúrio - trata-se de metal pesado tóxico e perigoso, que causa danos sérios à saúde e problemas graves ao ambiente. O consenso, no entanto, termina aí - como lidar com o problema é controverso. Há quem defenda que seja banido o quanto antes. Embora se saiba que é um elemento natural à crosta terrestre, a concentração global de mercúrio aumentou 300% no pós-revolução industrial.
Outra visão prefere uma mudança gradual, lembrando que em alguns casos ainda não existem substitutos. Em algumas situações pesa o orçamento, quando o metal pode ser opção mais barata, como nas obturações dentárias. Ou está no epicentro de um problema social e ambiental - o caso do garimpo na Amazônia. Que o mercúrio tenha seus dias contados, ninguém questiona. Que a solução é complexa, também não.
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