
28/02/2013
Um dos grandes desafios contemporâneos é discutir a sinergia entre meio ambiente e saúde pública. A contaminação ambiental afeta seres humanos e animais. Na recente polêmica sobre a qualidade do diesel brasileiro, por exemplo, estudo publicado em 2012 na revista científica “Clinics” indicou que pelo menos 14 mil mortes devem ocorrer no Brasil até 2040 devido à inexistência de um diesel de qualidade. Este número é muitas vezes maior do que o de vítimas de tragédias aéreas, mas nem por isso capaz de mobilizar a opinião pública. Mas existem muitos outros exemplos. Pesticidas que causam câncer, como chamou atenção Rachel Carson com seu livro “Primavera Silenciosa”, há 50 anos. Hepatite e outras doenças causadas por praias impróprias, alta mortalidade infantil por diarreias decorrentes da falta de saneamento básico, o asbesto cuja proibição depende de decisão do Supremo Tribunal Federal. Enfim, a lista é enorme. Mas há uma notícia boa neste cenário, a ONU, por meio do Pnuma, discute um tratado internacional sobre o mercúrio, a Convenção de Minamata. Uma avaliação do Pnuma de 2013 aponta que fontes antropogênicas respondem por 30% das emissões atmosféricas, o que exige ação incisiva.
O mercúrio é um metal pesado que se acumula na cadeia alimentar, com efeitos perversos à saúde humana, especialmente no desenvolvimento de fetos e crianças pequenas. Independentemente de onde é lançado, ele viaja por longas distâncias através dos oceanos e da atmosfera, chega a ser transportado de um continente a outro. Quando inalado na forma de vapor, danifica os sistemas imunológico e nervoso central, tireoide, rins, pulmões e olhos. Os sintomas incluem tremores, insônia, perda de memória, dores de cabeça, disfunção motora, distúrbios neurológicos e comportamentais. O caso mais emblemático é o da Baía de Minamata, no Japão, quando a contaminação por mercúrio chamou a atenção do mundo.
A exposição pode se dar através da ingestão de peixes, vegetais, passando pelo uso de alguns tipos cosméticos e produtos de higiene pessoal. Lâmpadas fluorescentes, tintas, baterias e termômetros, todos contêm mercúrio. Além disso, ele é utilizado como amálgama por dentistas e em processos industriais. Estamos diante de um problema que exige uma dramática intervenção do poder público, setor empresarial, sociedade civil e Academia.
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