
05/03/2013
Muito se fala sobre a necessidade de manter as florestas em pé, de não poluir as águas e ainda há um acalorado debate mundial em torno das consequências das mudanças climáticas. No Brasil, houve queda de braço na discussão do Código Florestal para decidir quanto de mata nativa deveria ser mantida à beira de rios e nascentes, com o intuito de preservá-los. Mas poucos vão direto ao assunto: o objetivo disso tudo não é preservar a natureza. É proteger o próprio homem.
Num mundo de sete bilhões de pessoas em que predominam níveis de consumo considerados insustentáveis pelo Painel de Alto Nível de Pessoas Eminentes das Nações Unidas (ONU) e o homem altera, ocupa, reduz e destrói ecossistemas, o que está em jogo é a saúde humana. A biodiversidade presta uma série de serviços à humanidade e um deles é a regulação de doenças. Ao ser alterada, o equilíbrio se modifica.
— A necessidade de conservar a biodiversidade não é sentimental ou emotiva. Somos dependentes dela, a começar pelo ar que respiramos. O homem é uma espécie tecnológica e, ao mesmo tempo, um ser vivo que depende do oxigênio. Se ele faltar por dois a três minutos, morremos — diz o professor Cléber Alho, Ph.D em Análise e Conservação da Biodiversidade, ao comentar o artigo "Importância da biodiversidade para a saúde humana: uma perspectiva ecológica", publicado pelo Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo e que serviu de base para essa reportagem.
O trabalho é um alerta para a proliferação de doenças causadas por alterações no meio ambiente. E elas não estão apenas em rincões distantes. No Brasil, há exemplos na Amazônia, mas Sul e Sudeste, regiões altamente urbanizadas, estão também repletas deles.
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