
19/03/2013
Você comeria um peixe da Baía de Guanabara? Acrescente a sua resposta o dado a seguir: um dos cartões-postais do Rio de Janeiro recebe diariamente toda sorte de poluentes, inclusive 70% do esgoto doméstico de 8,3 milhões de pessoas que vivem na Região Metropolitana. São aproximadamente 12 mil litros por segundo de efluentes in natura. Quem passa pelo Canal do Cunha, por exemplo, pode observar de longe — e sentir o cheiro — a degradação. Há até quem faça ironia e diga que fritar um pescado da baía é mais barato porque já vem com óleo. Apesar de tanta poluição, as águas da Guanabara têm a maior produção de pescado do estado, com 3.891 toneladas.
A informação consta do monitoramento anual feito pela Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Fiperj), cujos dados sobre a produção de pescado em 2012 acabaram de ser compilados. Pesquisadores do órgão estadual ressaltam que os números estão subestimados. Nem todos os pontos de desembarque de pescadores foram cobertos pelos especialistas.
Tanto que a estimativa apresentada pelo professor Marcelo Vianna, do Laboratório de Biologia e Tecnologia Pesqueira da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é ainda maior, mas, também considerada conservadora. Suas pesquisas indicam que a Baía de Guanabara produz cerca de 500 toneladas de pescado por mês. Ou seja, seis mil toneladas por ano, que movimentam um importante mercado pesqueiro, com aproximadamente três mil pescadores.
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