
16/05/2013
Vista à distância, a cena é bonita: um domingo nos parques cariocas sob um sol aprazível e rodeado por natureza. Um lugar com espaço suficiente para andar de bicicleta ou patins, correr, descansar sob uma árvore, jogar conversa fora, ler, fazer piquenique com a família ou amigos. Cariocas costumam repetir esse ritual nos fins de semana. Só que muitos dos que procuram essa forma de lazer colaboram para sujar as áreas verdes da cidade.
No desleixo com o espaço público vale de tudo um pouco: um guardanapo jogado no chão, uma guimba de cigarro atirada a esmo, restos de comida espalhados no gramado ou garrafas PETs boiando nos lagos. Em um único dia, os funcionários da Comlurb chegam a recolher duas toneladas de lixo em apenas um dos 32 parques que a empresa pública limpa na cidade. É resíduo suficiente para encher pouco menos da metade da caçamba de um caminhão.
De algum modo, reproduz-se nos parques o que acontece nas ruas da cidade. É como se o espaço público não tivesse dono. E a sujeira fosse responsabilidade dos garis. Há cariocas que fogem à regra, mas aqueles que jogam lixo no chão — ou simplesmente o “deixa para lá” — se justificam transferindo a obrigação de cuidar do lixo para o poder público. O governo, por sua vez, joga a responsabilidade na falta de consciência da população. É um assunto que divide opiniões e, quando os dois lados não se entendem, acontece na prática o que diz a chamada máxima das janelas quebradas: num prédio mal conservado, mais vândalos atuam; num local sujo, mais lixo se acumula.
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