
14/05/2013
No ano passado, dois inspetores da agência de lixo tóxico da Califórnia visitaram uma empresa de reciclagem perto de Fresno e toparam com um depósito abarrotado com dezenas de milhares de velhos televisores e monitores de computador.
A camada de vidro quebrado e a poeira carregada de chumbo eram tão espessas que os inspetores foram embora por razões de segurança. Semanas depois, o dono da empresa sumiu, deixando para trás um risco tóxico e uma custosa operação de limpeza.
A reciclagem desses monitores e TVs era lucrativa há poucos anos. Os grandes funis vítreos do interior -chamados tubos de raios catódicos, ou CRTs,- eram derretidos e transformados em peças novas.
Mas a tecnologia de tela plana tornou esses monitores e TVs obsoletos, dizimando a demanda pelo vidro reciclado dos CRTs e criando o que especialistas chamam de "tsunami de vidro", pelo acúmulo de um material inútil. Estima-se que 1,9 bilhão de CRTs continuem em uso no mundo todo. Um dia, eles acabarão também sendo descartados.
Os recicladores recebem dinheiro de Estados e de empresas eletrônicas para se livrarem dos velhos aparelhos. Alguns desenvolveram uma nova tecnologia para limpar o chumbo do vidro. Mas a maior parte desse refugo está sendo dispensada de uma forma que especialistas consideram ambientalmente destrutiva.
"O problema agora é que a coleta desses resíduos nunca foi tão grande, mas a demanda pelo vidro que sai dele nunca foi tão baixa", disse Neil Peters-Michaud, da empresa de reciclagem Cascade Asset Management.
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