
04/06/2013
Uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para criar um grande banco de dados sobre a biodiversidade brasileira está criando atritos com a comunidade científica da área. Em uma carta entregue em mãos ao ministro Marco Antonio Raupp no início deste mês, em Brasília, diretores e curadores das cinco maiores instituições de zoologia e botânica do País pedem mais apoio do governo e mais participação na formulação de políticas nacionais sobre preservação e gerenciamento de coleções biológicas.
O documento, chamado Carta do Rio de Janeiro (cidade onde foi formulada), é assinada pelas lideranças do Museu de Zoologia, Museu Nacional, Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Museu Paraense Emílio Goeldi e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - instituições que, juntas, guardam mais de 80% dos acervos de fauna e flora do País, com 22 milhões de exemplares de plantas e animais preservados em suas coleções científicas.
A carta é uma resposta ao pedido de informações enviado pelo MCTI às instituições no início do ano para construção do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), um projeto de US$ 28 milhões financiado pelo governo federal em parceria com o Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF). O objetivo do projeto, segundo o ministério, é "integrar e tornar acessível em uma mesma plataforma os dados sobre a biodiversidade e ecossistemas brasileiros, e dessa forma subsidiar a geração do conhecimento científico e a elaboração de políticas públicas". Para isso, foi solicitado às instituições que enviassem dados sobre suas respectivas coleções biológicas ao sistema.
As instituições não se recusaram a participar, mas pediram como contrapartida do governo uma série de ações e garantias, apontadas por elas como "pré-requisitos essenciais" à implementação do SiBBr. Entre elas, a criação de um Fundo de Apoio a coleções biológicas e a abertura de editais para "instalação emergencial de sistemas de armazenamento e proteção contra incêndio nas instituições detentoras de grandes acervos biológicos" - uma cobrança de promessas feitas três anos atrás, na ocasião do incêndio que destruiu grande parte das coleções de cobras e aranhas do Instituto Butantã.
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