
04/06/2013
A caça a aves como tucanos e arapongas acelera a perda de diversidade da Mata Atlântica. As flores deixam de ser polinizadas e as sementes, além de dispersas em uma área mais restrita, tornam-se cada vez menores, e com menor potencial de germinação. O diagnóstico, publicado hoje na revista “Science”, é de um grupo de cientistas da Unesp (Universidade Estadual Paulista), USP (Universidade de São Paulo) e UFG (Universidade Federal de Goiás), com a colaboração de institutos de pesquisa da Espanha e do México.
O estudo foi realizado em 22 áreas de Mata Atlântica entre o Sul da Bahia e Foz do Iguaçu, no Paraná. Das áreas remanescentes do bioma em todo o país, 80% estão em pequenos fragmentos, como os analisados.
Ainda no século XIX, a floresta tropical foi afetada pela extração de madeira e, também, por culturas de café e cana-de-açúcar. Grandes animais que se alimentam de frutos, como antas, macacos e tucanos, não sobreviveram. Regiões tomadas por palmeiras não regeneraram a vegetação original.
No mesmo período, houve uma mudança evolutiva acentuada nas características das plantas, notadamente a diminuição de suas sementes — um sério revés para a possibilidade de revitalização do bioma.
Os pesquisadores compararam a população de palmeiras das áreas estudadas. Cerca de nove mil sementes foram coletadas para análise em laboratório. Marcadores genéticos de DNA estimaram o tempo de isolamento das plantas — já que a área ao redor delas foi desflorestada. Câmeras automáticas foram usadas para fazer censo de animais que se nutriam de plantas. Também foram consideradas a influência do clima (como a intensidade do regime de chuvas) e a fertilidade do solo em cada região descrita.
Leia a matéria em O Globo
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