
13/05/2014
Enquanto a temperatura no Ártico vêm aumentando duas vezes mais rápido do que no resto do planeta, o gelo da Antártica foi durante muito tempo tido como pouco afetado pelas mudanças climáticas. Nos últimos anos, porém, as imagens de geleiras se derretendo colocaram a comunidade científica em alerta, ao menos em relação à região oeste. Somente a Antártica Oriental e seu frio cortante pareciam ser capazes de desafiar as mudanças climáticas.
Mas estudos do Instituto de Pesquisa sobre Impactos Climáticos de Potsdam (PIK), na Alemanha, lançaram dúvidas sobre essa crença. Um artigo publicado esta semana na revista Nature Climate Change indica que o derretimento de apenas uma pequena parte da costa oriental da Antártica poderia provocar um enorme aumento do nível do mar ao longo dos anos, ao "liberar" grandes quantidades de gelo por ela retidas.
"Até o momento, acreditava-se que apenas a parte oeste da Antártica era instável. Agora sabemos que sua porção leste, que é dez vezes maior, possivelmente também está em perigo", afirma o pesquisador Anders Levermann, diretor de estratégias globais do PIK e coautor do estudo.
Levermann e seu colega Matthias Mengel chegaram a tais conclusões com base em simulações de computador, usando dados aprimorados sobre o subsolo da Antártica. "A Cratera de Wilkes, na Antártica Oriental, é como uma garrafa deitada", afirma Mengel, o outro autor do estudo. "Se a rolha for tirada, a garrafa vai se esvaziar."
Se a "rolha" - placa de gelo ao longo da costa e que "segura" enormes massas de gelo atrás de si- derreter, o nível do mar poderia aumentar de três a quatro metros. Apesar de as temperaturas do ar na região antártica serem muito baixas, correntes oceânicas mais quentes poderiam provocar o degelo na parte costeira.
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