
20/05/2014
Pelo menos uma vez por mês, a fisioterapeuta Clara Daguer precisa fazer uso de uma vacina para tratar sua alergia, mas na hora de realizar o descarte, ela se sente perdida, apesar de já ter buscado orientação.
— Tomo essa vacina há uns sete anos, mas nunca consegui saber exatamente qual é a melhor forma de jogar esse material fora. O técnico de enfermagem que aplica a injeção falou que é importante sempre separar a agulha da seringa e depois enrolá-la num jornal para não correr o risco de machucar alguém. Mas jogo no lixo comum e não sei se essa é a maneira ideal. Acho que falta informação de uma maneira geral para o descarte de medicamentos — diz Clara.
A melhor forma para descartar remédios e resíduos gerados por eles, que podem causar risco à sociedade e ao meio ambiente, de fato ainda é um assunto em debate. No mês passado, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) fechou um edital para um acordo setorial entre fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes de medicamentos que têm a responsabilidade compartilhada por toda a cadeia desses produtos, da fabricação ao descarte, e recebeu três propostas que estão sendo analisadas. O acordo reúne representantes dos ministérios do Meio Ambiente, da Saúde, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, da Agricultura e Abastecimento e Fazenda. O foco da regulamentação são justamente medicamentos domiciliares de uso humano, vencidos ou em desuso, já que os descartados por prestadores de serviços já têm seu ciclo programado. Mas o descarte de objetos perigosos, como agulhas e seringas, não foi contemplado no edital.
— A seringa, algumas vezes, é vista como uma embalagem primária, mas de uma forma geral esses objetos não foram pensados nesse primeiro momento — admite Zilda Veloso, diretora de Ambiente Urbano, do MMA.
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