
22/05/2014
Famosa pelas estalactites e estalagmites que formam um mosaico sinuoso, a caverna do Diabo, em Eldorado (SP), é uma das maiores do Estado e uma das mais visitadas do país. Pode-se encontrar informações sobre ela em várias publicações, de livros didáticos a guias turísticos. Com uma exceção: o cadastro de cavernas do governo.
Assim como ela, pelo menos outras 600 grutas "desapareceram" desse sistema.
Em janeiro de 2012, o governo federal anunciou, em tom de comemoração, que o país ultrapassara a marca de 10 mil cavernas registradas. Mas, ao publicar seu cadastro nacional, veio a surpresa: constavam apenas 9.532.
Lançado em setembro de 2013, o Canie (Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas) levou quase dez anos para ficar pronto e gastou R$ 1,1 milhão só com desenvolvimento do sistema.
Além do sumiço das grutas, especialistas apontam problemas como erros de localização e a omissão sobre a fonte de informações.
"Há mais de 30 anos os espeleólogos do Brasil fazem de modo autônomo, sem apoio, um inventário das cavernas. Nós poderíamos ter ajudado, mas nosso auxílio foi rejeitado", diz Marcelo Rasteiro, presidente da Sociedade Brasileira de Espeleologia, que tem cadastro próprio.
Para Eleonora Trajano, bióloga da USP com mais de 35 anos de carreira na especialidade, falhas no cadastro nacional trazem problemas. "Se uma caverna não existe oficialmente, como cobrar sua proteção? Como provar que alguém a destruiu?", diz.
A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo
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