
27/05/2014
A condenação da farmacêutica Eli Lilly a pagar R$ 1 bilhão em indenização por danos morais deve ser apenas o começo de uma longa briga judicial. Outros 700 ex-funcionários e fornecedores também foram expostos a substâncias tóxicas na antiga fábrica da empresa, em Cosmópolis, no interior de São Paulo. Com a divulgação da sentença em primeira instância, o Ministério Público do Trabalho (MPT) de Campinas espera que outros ex-trabalhadores entrem com ações individuais pedindo indenização. Na capital, o MPT já abriu inquérito para investigar o risco de contaminação de trabalhadores em outra unidade.
— Foi uma vitória importante e representa um novo parâmetro para outras empresas que expõem seus trabalhadores a riscos de contaminação — disse o procurador do Trabalho Guilherme Duarte da Conceição.
A contaminação na fábrica de medicamentos, que funcionou em Cosmópolis entre 1977 e 2003, atingiu profissionais como Elias Soares, de 48 anos — nove deles naquela unidade da Eli Lilly —, que foi diagnosticado, em 2005, com câncer renal, adquirido no período em que trabalhou na área administrativa da companhia. Soares foi o primeiro a provar na Justiça que a doença foi causada pela inalação de gases tóxicos no ambiente de trabalho. Sua ação, junto com a da Shell, serviu de base para o MPT entrar com a ação civil pública por danos morais e coletivos pela contaminação dos ex-empregados.
A exemplo da Shell, que também foi condenada e acabou fazendo um acordo para o pagamento de indenizações por contaminação de ex-funcionários em sua fábrica de Paulínia, vizinha a Cosmópolis, na Eli Lilly o alerta foi dado por um funcionário que, após ser demitido, foi diagnosticado com câncer, provocado pela inalação de gases tóxicos na unidade da empresa.
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