
16/09/2014
A Amazônia é o lar de um quinto das espécies de aves do planeta, uma diversidade tão estonteante que ainda desafia os biólogos que tentam entendê-la.
Uma das explicações tradicionais é que os grandes rios da região criaram barreiras entre grupos dos bichos, levando-os a se transformar em espécies distintas com o passar do tempo. Mas um novo estudo indica que o processo real foi mais complexo.
Analisando o DNA de 27 tipos diferentes de aves da Amazônia e de regiões vizinhas, os pesquisadores dizem que, em geral, a origem de novas espécies não coincide com o surgimento de rios e de outras barreiras geográficas.
Eles apontam que fatores como a capacidade de deslocamento dos bichos pela paisagem, a antiguidade de suas linhagens e os vaivéns do clima teriam sido importantes para criar a superabundância de espécies amazônicas, de tucanos a periquitos.
A pesquisa está na edição desta semana da revista científica "Nature" e tem entre seus autores o brasileiro Alexandre Aleixo, do Museu Paraense Emilio Goeldi. Ele afirma que os padrões detectados no caso das aves provavelmente se aplicam a outros grupos de animais da maior floresta tropical do mundo.
Justamente para levar em conta todos os processos geológicos que moldaram a Amazônia e seu entorno, o trabalho tem coautores da Venezuela e da Colômbia. O coordenador, Robb Brumfield, é da Universidade da Louisiana (EUA), onde Aleixo concluiu seu doutorado em 2002.
Depois de examinar o DNA de mais de 2.500 espécimes de aves, espalhados pela América do Sul e Central, montando uma espécie de árvore genealógica dos bichos, os pesquisadores verificaram que a ideia das barreiras geográficas como "produtora" de espécies era simplista.
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