
25/09/2014
Países europeus prometeram firmar acordos, nos próximos dois anos, para investir até US$ 1,2 bilhão de dinheiro novo em pagamentos para países que consigam reduzir taxas de desmatamento. O compromisso foi anunciado na última 3ªF 23/09 com a Declaração de Nova York sobre Florestas.
É o mesmo tipo de arranjo adotado por Brasil e Noruega com o Fundo Amazônia, que tem previsão de chegar a US$ 1 bilhão. Mas o Brasil não aderiu à declaração por discordar, segundo a Folha apurou, do compromisso de desmatamento zero.
A declaração é por ora o principal resultado da Cúpula do Clima convocada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Trata-se mais de uma carta de boas intenções do que um plano prático para cortar pela metade o desmatamento até 2020 e zerá-lo até 2030.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, alega que o país não foi consultado. Os organizadores do documento dizem que uma versão preliminar foi apresentada ao governo brasileiro em julho, ainda no início de sua preparação.
A restrição verdadeira do Planalto diz respeito à ausência de distinção, no texto, entre desmatamento legal e ilegal. Como a lei brasileira permite manejo sustentável de florestas e derrubada de áreas para agricultura, dentro de certos limites (20% a 50%, na Amazônia), o país não poderia aderir ao desmatamento zero.
"Não faz sentido o Brasil deixar de apoiar uma declaração sobre a proteção e manejo sustentável das florestas", diz Tasso Azevedo, que foi diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro. "Este é o momento do Brasil se juntar ao esforço global para zerar a perda de cobertura florestal."
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