
11/11/2014
Casa fincada às margens de um valão de esgoto que, volta e meia, despeja até sofás e geladeiras no Rio Paraíba do Sul, Waldemiro Brás, de 65 anos, morador do bairro Siderlândia, em Volta Redonda, reclama da falta de consciência de seus vizinhos. Relata que “o pessoal joga de tudo no valão". Se pegasse um barquinho e percorresse boa parte dos 1.150 quilômetros de extensão do rio que corta São Paulo, Minas e Rio, o aposentado ficaria ainda mais perplexo. De acordo com estimativa de engenheiros da Coppe/UFRJ, feita a pedido do GLOBO, diariamente são jogados 600 milhões de litros de esgoto doméstico em toda a bacia do Paraíba do Sul. É o equivalente à geração de dejetos de uma cidade de 3 milhões de habitantes — metade da população da cidade do Rio. O cálculo exclui a bacia do Gandu, uma transposição do Paraíba feita na década de 1950.
Principal contribuição dessa poluição, os rejeitos residenciais ainda representam um enorme desafio aos gestores públicos, como mostra a terceira reportagem da série “O rio da cobiça". Apresentado há sete anos pela Fundação Coppetec/UFRJ, o Plano de Recursos Hídricos da Bacia do Rio Paraíba do Sul estima que Rio, Minas e São Paulo deveriam investir R$ 4,4 bilhões em duas décadas (valores atualizados) — R$ 220 milhões por ano — para melhorar a situação ambiental. A pecuária aparece como a segunda atividade que implica perda da qualidade das águas.
Nos últimos anos, reconhece a engenheira ambiental e ex-presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Marilene Ramos, quase nada foi feito para reverter o grave quadro:
— De 2007 para cá, acredito que cerca de 3% do apontado como necessário tenham sido efetivamente investidos em saneamento, reflorestamento, recuperação de matas e rios. O desafio continua.
A matéria na íntegra pode ser lida em O Globo
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