
16/12/2014
Enquanto o mundo hesita em adotar metas obrigatórias de corte das emissões de gases causadores do efeito estufa para conter o aquecimento global, a natureza segue seu curso, num caminho que é uma crescente ameaça às regiões costeiras que concentram grande parte da população do planeta, caso do Rio de Janeiro, alertam especialistas.
Um dia depois de representantes de 196 países reunidos na Conferência do Clima em Lima (COP 20) concordarem em reduzir emissões, mas deixarem para o ano que vem a costura final de um acordo vinculante de combate às mudanças climáticas, dois estudos indicam que a Groenlândia deverá perder sua cobertura de gelo mais rápido do que se pensava, enquanto um levantamento aponta continuidade na queda do volume de gelo sobre o Ártico durante o outono no Hemisfério Norte, que só não foi maior graças aos verões relativamente amenos dos últimos anos na região.
Lar do segundo maior manto de gelo do mundo, atrás apenas do continente antártico, a Groenlândia enfrenta alterações ambientais que deverão acelerar ainda mais seu derretimento, que já alcançou uma média anual de 243 bilhões de toneladas entre 2003 e 2009, o que provocou uma alta de 0,68 milímetro por ano no nível dos oceanos, afirma o primeiro dos estudos, publicado na edição desta semana do periódico “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS). Segundo os pesquisadores, os atuais modelos de previsão do comportamento dos glaciares da Groenlândia e o ritmo com que despejam água no oceano, montados com base em apenas quatro destas estruturas — Jakobshavn, Helheim, Kangerlussuaq e Petermann —, não são representativos do que acontece nos 242 glaciares.
Assim, os cientistas liderados pela geofísica Beata Csatho, professora da Universidade de Buffalo, nos EUA, se debruçaram sobre dados coletados em quase 100 mil pontos da Groenlândia entre 1993 e 2012. Com isso, revelaram que o comportamento dos glaciares da Groenlândia é muito mais complexo do que se imaginava e puderam chegar à estimativa do ritmo atual de perda manto de gelo sobre a ilha, que caso derretesse por completo elevaria o nível dos oceanos em mais de sete metros, inundando cidades litorâneas como o Rio de Janeiro e Nova York.
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