
08/01/2015
A areia de dunas, praias, rios ou várzeas parece inesgotável, mas é um dos recursos mais explorados do mundo e um dos mais valiosos da vida moderna, já que é hoje a fonte principal da construção civil. Para dar conta do rápido crescimento urbano e de tantas outras aplicações, a mineração de areia vem numa velocidade maior do que sua capacidade de renovação, resultando em profundos impactos ambientais ao redor do globo e numa corrida ilegal pelos grãos que valem ouro em pelo menos 70 países, entre eles o Brasil. A situação ainda é ignorada pela maioria dos gestores, mas já chama a atenção de cientistas e da ONU
São 40 bilhões de toneladas de areia e cascalho que desaparecem do ambiente natural por ano, segundo estimativas conservadoras de um relatório publicado este ano pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). O Brasil, junto de outros quatro países (China, Índia, EUA e Turquia), está entre os principais produtores de cimento do mundo (70%) e, consequentemente, entre os grandes mineradores de areia, já que 80% dela vão parar em obras.
Para se ter ideia, um quilômetro de rodovia requer 30 mil toneladas de areia; uma casa, 200 toneladas. Uma quantidade tão grande de material não poderia ser removida sem impactos, entre eles: praias devastadas, perda da biodiversidade e redução dos níveis e da qualidade de lençóis freáticos.
— Qualquer mineração é impactante — resume Decio Tubbs, professor do Departamento de Geociências da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e diretor do Comitê de Bacias do Rio Guandu (principal fonte de água do Grande Rio). — O que se pode fazer é buscar reduzir esse impacto, coibindo as extrações ilegais, incentivando a reciclagem e fazendo o manejo da área, durante e após a exploração.
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