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Regiões metropolitanas de Rio, São Paulo e Belo Horizonte não constroem novos reservatórios há 22 anos

03/02/2015

Não é só a seca histórica que explica por que quatro das sete maiores regiões metropolitanas do país estão ficando sem água para abastecer suas cidades. Especialistas em recursos hídricos apontam a falta de planejamento dos governos e a demora dos gestores públicos na execução de obras importantes como corresponsáveis pela situação vivida por Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Recife, onde o ritmo da construção de novos sistemas produtores de água não acompanhou a velocidade do crescimento populacional.
Das três regiões metropolitanas do Sudeste que convivem com a possibilidade de decretar rodízio de água nos próximos meses, nenhuma inaugurou um novo manancial ou represa de grande porte nos últimos 22 anos. Ao longo dessas duas décadas, o número de habitantes de Rio, São Paulo e Belo Horizonte aumentou 16,5%, passando de 17,1 milhões para 19,9 milhões — sem contar os municípios vizinhos. Crescimento populacional que elevou o consumo. No Recife, onde um novo sistema produtor de água ficou pronto em 2011, foram necessários 23 anos para que o projeto saísse do papel.
Na opinião de Oliveira, governos municipais, estaduais e federais devem parar de culpar a imprevisibilidade do clima e a falta de chuvas pela maior crise de falta d’água vivida pelo Sudeste nos últimos 80 anos:
— Ninguém pode dizer que não sabia que essa crise hídrica viria. Essas coisas não acontecem da noite para o dia. Uma represa é como se fosse sua conta bancária. A chuva é o seu salário, e o consumo de água da população é igual às contas a pagar todo mês. Se você vê que o dinheiro gasto com as contas está maior que seu salário, você sabe que tem algo errado.
No Rio, nenhum novo sistema produtor de água é construído para abastecer a Região Metropolitana desde 1963, quando foi inaugurada a Estação de Tratamento de Água (ETA) do Guandu. Embora seja a maior do mundo, a ETA tem que abastecer uma população que, só na capital, quase dobrou nos últimos 50 anos, passando de 3,3 milhões para 6,3 milhões. O sistema Guandu 2, que ampliaria a capacidade de produção de água para a região em 30%, é planejado há quase uma década e não saiu do papel. Na última campanha eleitoral, inclusive, voltou a ser prometido por todos os candidatos ao governo do estado— De uma forma geral, as regiões metropolitanas do Brasil têm baixa reservação de água, o que gera problemas de abastecimento. São necessárias obras, além de medidas para reduzir o desperdício e educar a população sobre o uso consciente da água — afirma o professor de engenharia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Jefferson Nascimento de Oliveira, que também é presidente da Câmara Técnica de Ciência e Tecnologia do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH).

Saiba mais em O Globo

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