
03/02/2015
O volume de água no Sistema Cantareira, o mais atingido pela crise hídrica em São Paulo, baixou 2,1 pontos percentuais durante o mês de janeiro. No primeiro dia de 2015, o manancial contava com 7,2% de sua capacidade. No sábado, último dia de janeiro, estava com apenas 5,1%. Depois de sete dias consecutivos em estabilidade, neste domingo o nível do reservatório voltou a cair e opera no menor patamar desde o início da estiagem, com 5% da capacidade, já incluída a segunda cota do volume morto. Para se ter uma ideia, em 1 de fevereiro de 2014 o sistema, que abastece mais de seis milhões de pessoas, operava com 21,9% de sua capacidade.
Com 5% de volume, o Cantareira atingiu o nível limite para o início de um racionamento estabelecido pelos governos federal e estadual. Abaixo de 5% pode ser feito um corte de 20% no abastecimento de água para o consumo humano e 30% para consumo industrial e agrícola em algumas cidades do interior de São Paulo, como Campinas.
Historicamente, o mês de janeiro é o mais chuvoso do verão e havia a expectativa de que as represas do estado se recuperassem no período. Mas choveu abaixo da média em 2015. No Cantareira, a média histórica de acumulação é de 271,1mm de chuva no mês. Em janeiro de 2015, no entanto, a captação da água da chuva foi de apenas 148,2 m, pouco mais da metade do esperado.
Além do Cantareira, outros três mananciais de São Paulo, que abastecem a Grande São Paulo, também registraram queda. Somente dois reservatórios do estado aumentaram seus níveis no último mês. O Guarapiranga está com 47,9% de sua capacidade, seguido pelo Alto Cotia, com 28%, e o Alto Tietê, com 11%. Em todos eles o volume de água caiu drasticamente no último ano. Em 1 de fevereiro de 2014, o Guarapiranga estava com 66,8% de sua capacidade, o Alto Cotia com 62,5% e o Alto Tietê com 44,4%.
O Guarapiranga foi o único entre os seis sistemas que abastecem a região metropolitana de São Paulo a fechar janeiro com mais chuvas do que a média histórica para o mês, segundo dados da Sabesp. Recebe água do Rio Guarapiranga e abastece 5,2 milhões de pessoas. No ano passado, absorveu parte dos consumidores que antes recebiam água do Cantareira.
O sistema Alto Cotia é formado por duas represas e alimentado pelos rios Capivari e Cotia. Suas águas abastecem os municípios de Cotia, Embu das Artes, Itapecerica da Serra, Embu-Guaçu e Vargem Grande.
O Alto Tietê é alimentado pelos rios rios Tietê, Claro, Paraitinga, Biritiba, Jundiaí, Grande, Doce, Taiaçueba-Mirim e Taiaçu e suas principais represas (conectadas por túneis e canais) são Ponte Nova, Jundiaí, Taiaçupeba, Biritiba-Mirim e Paraitinga, localizadas próximas às cabeceiras do Rio Tietê. Suas águas abastecem cerca de 3 milhões de pessoas na Zona Leste de São Paulo e nos municípios de Arujá, Itaquaquecetuba, Poá, Ferraz de Vasconcelos, Suzano, Mauá, Mogi das Cruzes e partes de Santo André e Guarulhos.
Fonte: O Globo
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